6 de mai de 2019

ENTREVISTA DE DOMINGO: professora Sinclair Pozza Casemiro

Neste mês de maio, mês das Mães e porque não dizer, mês das mães, oportuno prestar uma singela homenagem a uma mulher que muito fez pela educação e cultura da nossa Campo Mourão e região. 
A homenageada é a professora Sinclair Pozza Casemiro, um dos quatro filhos do casal tradicional e respeitado em Campo Mourão-  seu Fulvio Pozza, falecido em julho de 2017, com 91 anos, e da dona Idalina, hoje com 89 anos. 
Ela é destaque na história da educação e da cultura mourãoense ao longo das últimas décadas em várias instituições e entre elas, a nossa Fecilcam. 
Sinclair foi uma das pessoas importantes para a criação, construção e consolidação da Academia Mourãoense de Letras (AML), sendo fundadora da cadeira número 14, cujo patrono é Alvino Aloir Cordeiro.
-"A professora Sinclair sugeriu que tudo acontecesse legitimamente, por meio de instituições idôneas e representativas do meio acadêmico. Entendeu a AME e o Departamento de Letras da Fecilcam serem as instâncias mais balizadas e significativas para este empreendimento..."- Extraído do Histórico da Academia Mourãoense de Letras.
Sinclair é graduada em Letras Anglo Portuguesa pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) em 1976, com mestrado em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquiita Filho |(Unesp) em 1995, doutorado em letras, área de Filologia e Linguistica pela Unesp em 2001, e pós-doutorado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora de Pesquisa do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Caminho de Peabiru na Comcam-Necapecam-, com sede em Campo Mourão. Pesquisadora pelo CNPq da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão – Unespar/Fecilcam.
Foi professora, diretora e vice-diretora da Fecilcam. 
Em 1998 recebeu o título de Cidadã Benemérita de Campo Mourão. Publicou diversas obras literárias. Ótima leitura da ENTREVISTA DE DOMINGO.
QUEM É SINCLAIR POZZA CASEMIRO?  Sou nascida em Ibiporã (Paraná) em 21 de setembro de 1955. 
Filha de Fúlvio e Idalina, 
casada com José Aparecido Casemiro, mãe de Samara, José Henrique e Fúlvio César Casemiro; tenho minha nora Geisi Mara Rodrigues Casemiro e sou vó da Giovana e da Clara Rodrigues Casemiro.
COMO SE DEFINE? Como uma sonhadora, que acredita na vida, apesar de que perceba, com muita convicção, que parte de nossa humanidade já nos condenou. O que mais gosto em mim, é não guardar ressentimentos, de ter aprendido, com minha mãe, que perdoar é preciso. De procurar permanentemente desenvolver esse aprendizado.
COMO FOI SUA JUVENTUDE? LEMBRA DE ALGUMAS HISTÓRIAS? Também em Ivatuba e em Maringá. Me lembro de muitas, muitas histórias... minha infância e juventude vivi nos tempos de expansão do Norte do Paraná, de criação de patrimônios, cidades se desenvolvendo.
Ao mesmo temo, tempo de uma política muito
conturbada, período em que se iniciou e se desenvolveu a Ditadura e que foi bastante polêmico. Muita agitação, muitos dramas, gentes de todos os lugares que chegavam e saíam, alguns criando raízes, outros só de passagem, mas como eram cidades novas com políticas muito ativas, praticamente  todos se conheciam, praticamente todos se envolviam.
Mesmo Maringá, onde vivia a maior parte de minha família paterna, meus avós, “nonos”, e que foi um prolongamento da minha, Ivatuba, era uma cidade relativamente pequena. Também vermelha e
barrenta, eram táxis de carroças que levavam a mim e a minha mãe pra lá e para cá nos médicos e em tantos outros lugares. Vivi em volta da Catedral de madeira,
posto de saúde, meus avós moravam na esquina, em frente à Umes - União Maringaense de Estudantes, onde havia muita movimentação, eu era bastante participativa e sempre havia o que fazer. E havia comunicação, amizade entre as pessoas dessas cidades. Havia eventos sociais, culturais que preenchiam nossos domingos.
A gente se visitava, os grupos de jovens criavam projetos sociais juntos, religiosos e culturais, havia
muita participação da juventude na vida dos municípios. Sentimento de solidariedade e compromisso, engajamento social. Inda mais que era também a época da Ditadura e sempre se discutia muito a conquista da liberdade, da democracia e a desigualdade social. Havia um sentimento de compromisso com o país, com a cidade onde morávamos, com a região, com o coletivo. Época do Frei Beto, do Padre Zezinho, do Chico Buarque de Holanda, do Geraldo Vandré, de poetas e líderes que nos chamavam para construir um tempo novo.
Da infância, já que me pergunta, ficou bem forte uma lembrança muito triste: minha mãe chorando, varrendo uma calçada enorme, de minha casa, com uma barriga muito grande-carregava minha irmã caçula, a Cleide, era 1964 e as rádios não paravam de
conclamar alguma coisa muito extraordinária, eu não entendia bem o que era, mas percebia que era uma espécie de guerra, de algo perigoso que iria acontecer no Brasil. Tinha 5 anos. Homens falavam em tom muito enérgico nas rádios, havia muito medo. A mãe chorava e me pedia para rezar. Era o período conturbado da nascente Ditadura que durou duas décadas.
Eu mal sabia, mas presenciava entre as lágrimas de minha mãe e as falas ardorosas de meu pai, das pessoas que frequentavam minha casa, o começo de um tempo escuro que tomou conta de toda a minha juventude. Quando ela acabou eu já tinha dois filhos. Mas um tempo que me levou a questionar, a lutar, me fez ter coragem de tomar atitudes na vida, participar e defender ideais. Pensar no bem comum.
Eu e meu pai levávamos horas a discutir ideias, a defender nossos pontos de vista. Eu gostava muito de conversar com ele, com meu nono, com quem eu me identifica ainda mais e que tinha participado da primeira guerra mundial. Quanta história ele contava naquele italiano complicado, recheado de português e com aquela voz forte que se perdia depois, se apagava, no meio de um choro manso e fundo, sofrido, de um olhar que se perdia, assim como suas histórias, num lugar tão longe e num tempo tão difícil da Itália distante. E então eu lia, lia muito para entender as coisas que ouvia. Ele tinha muitos livros e a gente lia junto também muita coisa. O nono é uma lembrança feliz também de minha infância e de mocinha. Quando morreu, eu tinha 14 anos. Viveu conosco em Ivatuba os seus últimos dias e morreu em Maringá, cidade que tanto amou e viu crescer.
ESSE TEMPO DE TURBULÊNCIA MARCOU MUITO SUA VIDA? Outra lembrança forte que tenho em minha juventude, é da Guerra do Vietnã – terminou em 1975. Comemorei quando as rádios e jornais televisivos noticiaram o fim da guerra que parecia nunca mais acabar. Foi muito bom! Os destroços da guerra, os corpos dilacerados se estampavam nas revistas e jornais de minha infância e juventude, os noticiários nos traziam todos os dias histórias de jovens, de famílias que comoviam, revoltavam. E agora se iniciava um novo tempo.
QUAIS OUTRAS LEMBRANÇAS NA FASE ADULTA? Já mais amadurecida , outro  evento marcou muito minha vida. Dividido em dois momentos: o primeiro, quando o presidente da Assembleia Legislativa Aníbal Khuri (foto), como governador em exercício, nos comunicou que chancelaria a universidade para Campo Mourão, “o município e a região mereciam já sua universidade”, disse ele.
Estávamos eu, o Tauillo e o professor Rubens. Foi um momento mágico, divino, fomos comemorar com um sanduíche muito gostoso, nós três, que o Tauillo sabia onde encontrar. Coisa de jovem, como era o Tauillo. Aceitamos satisfazer seu desejo com muita alegria.
E veio logo em seguida, o segundo momento desse evento, agora trágico: morre Aníbal Khouri. Com ele, a nossa Universidade Regional, capciosamente transferida para Jacarezinho por Hermas Brandão, Beto Richa e Lerner. Começou tudo de novo, porque um sonho “de verdade” não morre, nunca desistimos.
DESDE QUANDO EM CAMPO MOURÃO? Desde 1982, vim para acompanhar meu marido, cuja família adquirira terras aqui na região, mudaram-se todos. Transferi meu trabalho para cá, era professora da área de Letras. Lecionei em primeiro lugar no Colégio Estadual João de Oliveira Gomes, Ensino Fundamental e Médio.
COMO FOI SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL? Iniciei minha trajetória profissional em Ivatuba, já aos 14 anos. Naquele tempo, isso era normal. Ainda mais que faltava professor. Eu escolhera lecionar e assim que tive a primeira oportunidade, já comecei a trabalhar com alfabetização de adultos por meio de convênio com os governos municipal e federal.
Uma experiência que me marcou, foi gratificante, era à noite. E durante o dia, contrato com carteira assinada como estudante Normalista no Grupo Escolar “Afrânio Peixoto”. Depois, já estudando Letras, em 1973, na UEM, comecei a lecionar no Ginásio Estadual “Clóvis Beviláqua”. Formada, passei no Concurso Público e passei a lecionar também para o segundo grau.

Quando me mudei para Campo Mourão, continuei trabalhando no Ensino de 1º e 2º. Graus e, em 1987, iniciei meu percurso na Fecilcam.
Aposentei-me e mudei para Maringá. Lá, não consegui ficar longe da sala de aula, trabalhei na Unifamma. E nunca mais parei de trabalhar, nem pretendo. Se Deus quiser vou morrer com “lápis na mão”. Hoje leciono em pós-graduação em diversos municípios, mas principalmente em Cascavel e Toledo.
Outro trabalho que desenvolvo há anos é em pesquisa na área indígena. Desde o início do ano 2000 venho mantendo contato com os Guarani e desenvolvendo com eles diversos projetos.

Tive a feliz oportunidade de trabalhar como vice-diretora e diretora da Fecilcam. Iniciando nosso projeto de Universidade, o que fez muita diferença em minha vida. Como pessoa e como profissional, pela convivência que tive com os colegas professores, funcionários, com os alunos, com as comunidades local e regional, sempre tão participativas da vida e lutas dessa memorável Instituição.
O QUE FEZ QUE NÃO FARIA DE NOVO? Difícil responder esta pergunta. Mas há algo que me angustia e que tenho sentimento de que deveria ter feito: ter participado mais efetivamente do momento de definição da sede da Unespar e ter buscado impedir a ida da sede para Paranavaí.
Fui convidada um dia a participar de uma reunião da Comcam e na Comcam – Comunidade dos Municípios da região de Campo Mourão, cuja pauta era a sede da Unespar. Fui com vontade de me envolver, de trazer a sede para Campo Mourão. Sartori – Rubens Luiz Sartori- estava junto, o nosso grande sonhador e companheiro. Mas já era tarde.
Até hoje não entendi direito o que aconteceu de fato, mas sinto muita tristeza quando penso que tudo começou com a Fecilcam, pois foi a nossa Fecilcam que primeiro quis fazer seu projeto de Universidade, a UR -
Universidade Regional. O professor Jacó Gimenez  (foto) muito nos ajudou logo depois. Lá bem no comecinho, o “Gilbertinho” – Gilberto Santana de Alencar era meu companheiro de escrever o projeto. Ficávamos noite adentro ali, com a Maria Luíza, fazendo os primeiros desenhos do que seria a Universidade. 

Na verdade, todos da Fecilcam participaram dessa criação, em diferentes momentos e situações, entre eles, o professor e doutor Rubens Sartori, mas esses dois eram minha cola já bem no início, ainda nos primeiros rabiscos,  e também a Gláucia, que amanhecia comigo naqueles inícios, na criação dos novos cursos, por exemplo. Grandes desafios.

Mais a frente, quando vimos que a universidade só para Campo Mourão seria difícil, o Estado não comportaria a situação, que cada uma das faculdades também iria pretender a universidade, seria mais possível uma universidade com todas as faculdades a exemplo da Unesp, chamamos Paranavaí para conversar e a ideia foi lançada então para as demais faculdades. Isso também isso nos satisfazia. Uma universidade multicampi.
No desenrolar do processo, contamos com Instituto Paulo Freire, de Campinas (SP), ligado à Unicamp, contamos com vários pesquisadores dessa Instituição que nos possibilitaram chegar ao primeiro Mestrado Interinstitucional do Paraná e talvez do Brasil. Para isso, fizemos parceria com a Unesp (Araraquara), com a Universidade Federal do Paraná, com a UEM (Maringá). Tudo isso juntando também o apoio da APP- Sindicado dos Professores do Paraná, além de toda a comunidade de Campo Mourão e da Comcam tendo à frente o Município de Campo Mourão, inclusive, na parte financeira e logística. Estou simplificando, mas só para dar uma ideia do pioneirismo da Fecilcam.
Então era natural para mim e creio que para todos que vivenciaram este processo, que Campo Mourão fosse, por direito, candidata à sede. E isso não aconteceu. Nem quero discutir mais. Mas confesso que foi muito difícil, muito triste por um bom tempo, me aproximar de Campo Mourão, vir chegando à cidade, sabendo que perdera a oportunidade de sediar a Universidade pela qual tanto lutamos. Doía demais, era insuportável, mesmo. Não adianta eu disfarçar, eu negar. Isso me entristeceu demais, me partiu, foi difícil superar, ainda não superei, aliás.
COMO A EDUCAÇÃO ENTROU EM SUA VIDA? Desde criança gostava de dar aulas a todo mundo: irmãos, primos, amigos, até meus bichos eram meus alunos quando não tinha ninguém para brincar de escolinha comigo. Sempre quis ser professora, meu nono me incentivava, dizia que era uma profissão muito importante. Ele era uma pessoa muito culta, vivia lendo, discutia qualquer assunto de qualquer área com pessoas esclarecidas da época. Eu o acompanhava, curiosa, queria aprender, lia muito e sonhava ser educadora. Gostava demais de Geografia, de Literatura e de Gramática. Escolhi Letras.
ENTRE TANTAS EXPERIÊNCIAS, QUAIS NÃO SAEM DA MEMÓRIA? Sem dúvida, a Fecilcam e o seu projeto de Universidade.

COMO SURGIU A IDEIA DA ACADEMIA DE LETRAS EM CAMPO MOURÃO? Eu sempre fui muito crítica com relação às Academias. Elas são uma faca de dois gumes, ou de muitos, mas limitando-nos a dois, ou
duas faces, podem ser fechadas, apenas administrativas e de controle, ostentar poder e restringir a cultura a grupos eleitos. Prevalece, nesse caso, o gosto pelas discussões inócuas, o personalismo de notáveis, a discussão de Regulamentos, pois eles tanto ajudam como prejudicam a liberdade de expressão, base de qualquer avanço de ideias e projetos de emancipação cultural. E ser abertas, quando elas podem ser divulgadoras e estimuladoras das Letras e da cultura, da ciência em geral, da filosofia, teologia, das artes. O nome “Letras” no plural designa Literatura, como também pode designar o conjunto de saberes e áreas de saber de uma sociedade, a sua escrita, seja ela verbal ou não verbal, seja ela de escrita física, como os livros e similares, seja ela, hoje, não física- “on line”.
Então eu tinha um certo receio, não queria participar de uma instituição burocrática, convencional, que inibisse a criatividade e a imaginação, o que as instituições marcadamente tecnicistas e formais, convencionais acabam fazendo. Elas inibem ao invés de expandir o conhecimento, o prazer do saber em todas as suas manifestações.
Como ser, eu mesma, justamente, aquela que a tomaria à frente de um projeto duvidoso? Eu concordava em juntar escritores, poetas, falar e escrever, ouvir Literatura, se manifestar livremente; reunir para sonhar, falar, declamar, cantar, fazer a poesia e arte, por isso participara da fundação da Associação Mourãoense dos Escritores (AME). Mas seu espírito era da espontaneidade, informalidade, criatividade e asas à imaginação. Improviso. Poetar e escrever por mero prazer, mesmo a Literatura mais contestadora, tinha que ser num ambiente livre, em que o poético é fluido, desliza e nasce sem pedir licença. Nada institucional, a não ser o que minimamente exista para materializar os sonhos. E para ser parte dela, basta querer, sem seleção. Assim é a AME.
E eis que, por ironia do destino, fui convidada pelo presidente da Academia de Letras do Paraná, Túlio Vargas (foto) - Odilon Túlio Vargas nasceu em Pirai do Sul, Paraná, no dia 28 de junho de 1929. Túlio Vargas era filho do deputado Rivadavia Vargas e de Dalila Rolim Vargas, é bisneto do célebre sertanista, revolucionário e político Telêmaco Borba. Frequentou escolas do ensino fundamental em cidades do interior de São Paulo e graduou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1954, a implantar a Academia de Letras de Campo Mourão. Ele veio a Campo Mourão, na Fecilcam, veio juntamente com o deputado estadual  Augusto de Oliveira Carneiro e o presidente da Academia de Letras de Maringá, Antônio Facci. Foi uma surpresa, um susto! Pedi um tempo e refleti muito. 
Um mês depois liguei para ele, agradeci a honra do convite e me desculpei, não seria a pessoa ideal, sugeri outros nomes e me pus à disposição para colaborar. Ele insistiu, disse que demorara para me procurar, que eu deveria pensar melhor e aumentou meu prazo de decisão. Diante de minha argumentação, de que tinha dúvidas por causa do destino que ela poderia tomar, ele me deu longa lição e disse que, por ser assim crítica é que ele tinha me escolhido para a função, também essa era a sua preocupação à frente da Academia da qual era presidente. E que, por assim pensar, idealizou o projeto de criação de Academias por todo o Paraná. Não queria o monopólio da capital, queria espalhar Academias para divulgar e estimular as Letras no Estado. Assim me convenceu e, com a colaboração de um grupo muito competente, criamos a Academia de Letras de Campo Mourão. Eu sabia do desejo de Campo Mourão ter sua Academia, isso já tinha se manifestado quando nas nossas reuniões na Casa da Cultura para a fundação da Associação Mourãoense de Escritores - AME. Principalmente por parte de José Eugênio Maciel, Amani Spachinski de Oliveira, Roberto Irineu Brzezinski, Rubens Sartori e Cida Freitas.
Ilivaldo, seria injusto e trata-se de um dever de honra e justiça às pessoas que se dedicaram intensamente ao processo, eu rememorar como organizei a Comissão de Criação e Implantação da Academia. Num trabalho de pesquisa minuciosa e inédita, metódica, mas, voluntária, os membros da Comissão de Implantação dedicaram-se de corpo e alma, foram assíduos, contribuíram com dados relevantes, com criticidade, sugestões, ações e mesmo como representação institucional de apoio. Quero lembrar delas aqui:  Departamento de Letras da Fecilcam - professores Wilson Moura, Mônica Sociofernandes, José de Castro. Representando a AME - Elza Paulino de Moraes, Amani Spachinski de Oliveira, Rubens
Luiz, Sartori, Noel Meireles Cardoso, Gilberto Santana de Alencar, Luiz Mazuchetti. Representando a Fundação Cultural, Professor José Eugênio Maciel, representando a Secretaria Municipal de Cultura, Edilaine de Castro.
Essa Comissão   foi muito ativa, crítica, o que contribuiu muito para um trabalho sério e fundamentado.
Mas há alguns desses membros, a quem gostaria de especialmente ressaltar. E explico porque: eles eram naturais ocupantes das primeiras cadeiras, seguindo o que já vinha ocorrendo na implantação das demais academias do Estado, mas deveriam manifestar essa vontade. Abdicaram. E não mais se manifestaram. Mas, seu trabalho nessa construção, embora registrado,  precisa ser lembrado,  e esta é minha oportunidade de fazê-lo. São eles: Wilson Moura, Mônica Sociofernandes, José Passos, que representavam o Departamento de Letras da Fecilcam, Gilberto Santana de Alencar, Noel Meireles Cardoso, representando a AME. Edilaine de Castro, representando a Secretaria Municipal de Educação, representada por Elza Paulino de Moraes.
A história de todo o processo, com os sujeitos membros que nele participaram ativamente, com as decisões e ações da Comissão, encontra-se registrada em um fascículo que eu mesma escrevi e foi distribuído no dia de sua implantação. Sou imensamente grata a todos.  Mas, sinto necessidade de resgatar essas informações acima, e este é um bom momento. Sem o seu trabalho, a AML não teria existido. Peço-lhe, por favor, que a homenagem que desta entrevista procede seja estendida a quem neste texto manifesto o reconhecimento.
APÓS ESSES ANOS TODOS, QUAL É O SEU SENTIMENTO HOJE? Gostaria de poder estar mais presente, poder contribuir mais.
COMO ANALISA A EDUCAÇÃO ATUALMENTE? Triste. Situação que já prevíamos, nós, professores mais antigos, quando vimos as salas se abarrotarem de alunos, as atividades dos professores aumentarem e eles terem que se envolver com excesso de aulas para sobreviverem. Quando vimos o livro didático substituir a preparação de aulas, substituir os cadernos dos alunos radicalmente na maioria das vezes. Quando vimos as crianças perderem a presença das mães e dos pais no acompanhamento de sua educação na família porque já não tinham mais tempo. Quando vimos as drogas rondando as escolas e os alunos não reconhecendo mais a autoridade do Mestre. 
Agora, quando vemos aumentar assustadoramente o número de vagas nas cadeias dos municípios e até mesmo o número de cadeias em mais municípios do Estado, a situação fica mais delicada. Escolas e instituições educativas com qualidade deveriam aumentar e não os presídios, como está acontecendo. Violência gera violência, assim como o contrário. Sou pelo contrário, portanto, sou pela ampliação de oportunidades culturais emancipatórias.
QUAL A VOCAÇÃO DE CAMPO MOURÃO NA SUA OPINIÃO? Ainda bem que escolheu a educação entre uma das prioridades. Que ela cresça com qualidade! Mas creio que tenha a vocação agrícola também, que pode se desenvolver, por seu turno, na área agroindustrial. Esse foi o objetivo do Curso de Engenharia de Produção Agroindustrial da Unespar: criar indústrias relacionadas à produção de alimentos, remédios, perfumes, até de materiais para construção a partir do que a sua terra dá. Numa cadeia por inteiro.  Sonhamos um celeiro de indústrias para a Comcam e até para o mundo com esse Curso.
QUAL MANCHETE FICOU NA SUA HISTÓRIA DE VIDA? “Fim da Guerra do Vietnã!"”
UMAS E OUTRAS
MÚSICA– “Fur Elise” de Bethoven.
UM LIVRO – Hoje: “A anatomia de um genocídio” de David Rothscun.
AUTOR? Viveiros de Castro
PROFESSORA? Elly Brenner.
SONHO? Demarcação das terras indígenas, titulação delas aos  indígenas, que são brasileiros originários e passou da hora reconhecer esse fato inquestionável... sua emancipação civil definitiva, respeitando seus direitos originários conforme a Constituição de 1988 reconhece e determina, especialmente no Art. 231. Regulamentá-la. Vivemos ainda um atraso histórico, semelhante ao que vivemos na Abolição da Escravatura. Sinto-me envergonhada desse atraso e não compreendo a alienação de nós, não indígenas, quanto a isso. A alienação leva à negação e à cumplicidade. No século XXI?
SAUDADES? Sim. Das conversas com meu pai. Muitas saudades dele.
MOMENTO INESQUECÍVEL? Quando soube da gravidez de cada um dos três filhos Samara, José Henrique e Fúlvio César e nascimento das netinhas gêmeas Clara e  Giovana.
HOBBY? Ler e escrever.
MANIA? De ler deitada.
PROGRAMA? Brincar com as netinhas.
FRUSTRAÇÃO? Perder a sede da Unespar.
FAMÍLIA É.... Tudo o que somos e temos!
ESPORTE E TIME? Futebol, Palmeiras, mas não me pergunte quais são seus jogadores... Palmeiras de coração, como herança de família.

CAMPO MOURÃO DO PRESENTE...Educação.
CAMPO MOURÃO DO FUTURO...Educação e desenvolvimento sustentável.
QUAL JOGADA QUE, SE PUDESSE, JAMAIS TERIA FEITO? |Deixar o time da Unespar fora de hora.
ÉTICA EM UMA FRASE É...Cuidar das pessoas, do mundo.
QUAL O SENTIMENTO DE RECEBER ESTA HOMENAGEM? Gratidão e timidez.
QUEM GOSTARIA DE VER HOMENAGEADO NO BLOG? Wilson Moura, Mônica Sociofernandes, José Passos, Gilberto Santana de Alencar, Luiz Mazuchetti, Edilaine de Castro. São os integrantes da comissão de criação da Academia Mourãoense de Letras que não ocupam cadeiras na academia.
IMPORTÂNCIA DA “ENTREVISTA DE DOMINGO” NO BLOG? Oportunidade de conhecer a história de cada entrevistado ao mesmo tempo que entender a história de coletivos sociais, como de Campo Mourão. História vivida de cada um e história viva de campo mourão. E de outras regiões a que essas histórias pessoais reportam.
RECADO AOS LEITORES. Ler muito.
QUAL PERGUNTA NÃO FORMULADA QUE GOSTARIA DE TER RESPONDIDO? POR QUE DEMOROU TANTO PARA ACEITAR O CONVITE DESTA HOMENAGEM? Pela timidez, mas tenho o maior reconhecimento dele, do grande Projeto que o embasa, pelo seu criador, o  idealista e escritor Ilivaldo Duarte. Grande incentivador da cultura  em nossa Campo Mourão. Um sonhador.
O MOMENTO ATUAL DA SUA VIDA É.... cuidar da família e dos indígenas.
O QUE AINDA NÃO FEZ, QUE GOSTARIA DE FAZER? Ajudar a acabar com o genocídio indígena no país.

2 comentários:

  1. Obrigado confrade Ilivaldo Duarte por mais esta extremista com uma pessoa tão ilustre! Tive a hora de ser aluno da professora Sinclair no Ensino Fundamental!

    Prof. Agnaldo Feitoza

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  2. Uma bela história da professora Sinclair. Ela fez muito pela educação em nossa cidade e continua fazendo pela Academia Mouraoense de Letras.

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