do que qualquer artista famoso: esperança mal direcionada. O executivo chega ao evento como quem vai à farmácia às três da tarde com dor de cabeça. Quer o remédio certo, rápido, sem efeitos colaterais e de preferência que outra pessoa tome.
O palestrante sobe ao palco. Carismático. Slides impecáveis. Metáforas de tirar o fôlego. A plateia anota feito louca, como se estivesse descobrindo a roda que, aliás, já estava lá desde antes de Moisés. Na segunda-feira? Reunião atrasada. E-mail urgente. O caderno de anotações dorme na gaveta, junto com o do evento anterior. E do anterior ao anterior.
Noventa por cento do que se fala nesses eventos já foi dito. Por outros. Em outros palcos. Em outros séculos. Drucker falou. Kotler repetiu. Alguém traduziu. Outro transformou em slide animado e cobrou R$ 40 mil pela manhã. O problema nunca foi a ideia. O problema é que ninguém pergunta ao executivo, na saída: "O que você vai parar de fazer para isso funcionar?" Ninguém. Porque essa pergunta estraga o clima, o tal do network e, afinal de contas, o coffee break já acabou.
Os livros de negócios? A mesma dança. Tem gente que lê um e transforma a empresa. Tem muitos que leem cinquenta e não transformam nem a própria agenda. O livro não age. Você age! Ou não. E o que falta, quase sempre, não é informação. É a coragem de aplicar o que já se sabe.
O ser humano não tem déficit de conhecimento. Tem déficit de decisão.
O que realmente funciona é simples e desconfortável: diagnóstico honesto, problema real na mesa, acompanhamento, cobrança.
Um conselheiro que diga o que você não quer ouvir vale mais do que dez palestrantes com iluminação dramática. Evento inspira. Inspiração sem estrutura evapora. A pergunta certa não é "isso funciona?". É: eu funciono?
Abraham Shapiro - Publicação na esdição 4 de maio 2026 na Folha de Londrina.
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