
Criança é um pouco pássaro. Voa mesmo sem ter asas, é indefesa, pura e linda assim como os pássaros (...).
Mas o outono está na sua última cena, e já vai dando espaço à nova estação que está chegando de mansinho.
O frio da noite, delicioso clima para quem tem agasalho, dá mostra do inverno que já vem. E, como cada estação é única, o inverno vai pintando o seu cenário para a próxima peça que a natureza irá apresentar. Se vai chover, o céu fica cinzento, quase triste, sugerindo o aconchego, a introspecção, o mergulho dentro de si mesmo. Se é dia de sol, o céu fica muito mais azul, a claridade se acentua, as plantas amanhecem cobertas de orvalho. Poesia pura.
A mistura de cores que se estabelece no final do outono chama nossa atenção. Nos campos, os vários verdes das plantas se misturam com o marrom da terra num quadro digno do pintor maior; na cidade, as árvores vão se despindo das folhas verdes que aos poucos ficam amareladas e se desprendem numa demonstração de que já cumpriram a missão. Flores aqui e ali salpicam de outras cores a visão de quem vê e enxerga (Há muitos que veem, mas não enxergam, que pena!).
As estações vivem em sintonia como naquela prova de corrida onde um atleta corre até um ponto e passa o bastão para o outro que faz sua parte no percurso. Nessa sintonia a natureza se faz completa para o deleite de quem a compreende e se apaixona por ela.
Cada tempo é especial. A primavera é a estação mais linda porque enche nossos olhos de cores e nos inspira para o amor. O verão dá chance ao corpo de se mostrar, relaxar, viver intensamente; o outono se preocupa em se dar generosamente, sem economia; o inverno sugere a reflexão, o aconchego do lar, o brinde às pessoas que se amam.
Se pensarmos bem, duas estações são voltadas à fisiologia humana: verão e outono; duas se preocupam com coisas do espírito: primavera e inverno. Será que não?
Pensando nisso, olhando tudo isso, só nos resta agradecer ao Criador. Sem criador não há criação, sem criação não existe vida. Sem vida o tudo é nada.
Coisas da natureza... Mudança de estação sempre inspira. Um brinde ao outono que já vai! Um brinde, com vinho, ao inverno que já vem!
Cida Freitas, Professora, poetisa e escritora, membro da Academia Mourãoense de Letras.
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