19 de jul. de 2026

NO RÁDIO, O ETERNO CORONEL BASTIÃO: "A saudade não mata mas martiriza um sincero coração"

Na manhã deste domingo,19, veio a mente a persona
do Coronel Bastião, o batizado Benedito Ferreira de Freitas, que marcou época no rádio mourãoense em quase 50 anos empunhando o microfone da Rádio Colmeia em Campo Mourão. Deus o chamou em um 4 de setembro de 2015. 

Milhares de ouvintes se acostumaram a ouvir o “Rancho do Coronel Bastião” que fez história no rádio de Campo Mourão. E continua fazendo, porque há muitos anos a cada novo sábado, tocamos na abertura do programa Tocando de Primeira com Ilivaldo Duarte na Rádio Colmeia FM, um dos seus bordões na quadra cultural, que apresenta o hino de Campo Mourão, a benção do padre Zezinho e a música “Sementes” com Fernando Vinhote.

 “A saudade não mata mas martiriza um sincero coração” é o bordão de cada sábado que faz familiares e ouvintes matarem a saudade deste homem de fé, devoto de Nossa Senhora, que nos últimos anos de rádio colocava no ar seu programa logo após o Tocando de Primeira. E por falar em música, me emociono quando lembro, escrevo ou falo, que a última música que o Coronel Bastião tocou em vida foi “Nossa Senhora Aparecida” da dupla Gino e Geno. E tudo isso foi providência.

Mas antes de entrar na história de vida dele, lembro quando jovem na Vila Urupês em Campo Mourão, do voluntariado e idealismo como homem de servir, que o Coronel Bastião, ao lado de outros homens de fé e de obras como o seu Bento, o seu Clotário, e tantos outros, se dedicaram na nossa então capela de madeira, depois do salão que viria a ser salão paroquial e da Igreja, que anos depois se tornaria paróquia e Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida. Quanta história, emoção e alegrias vivemos nesses anos todos.

COMO ELE COMEÇOU NO RÁDIO - Benedito Ferreira de Freitas, o ‘Coronel Bastião’, o locutor sertanejo apresentou durante 48 anos o seu programa na Rádio Colméia AM. 

Coronel Bastião contou que em entrevista da sua participação no rádio iniciada em dezembro de 1966, após a saída do radialista "Zé Mané" - in memorian. “O Zé Mané teve um desentendimento com o diretor da rádio na época e eu era balconista da Casa dos Retalhos. Também era propagandista da empresa e fazia leilões, animava as festas de casamento, entre outros serviços”, conta o futuro radialista.

 Vale lembrar que ele tinha talento e um dia foi convidado para animar uma festa na Santa Lúcia – comunidade entre Campo Mourão, Peabiru e Araruna- Sua voz forte e carismática logo conquistou o público e não demorou para que a famosa “Casas do Retalho – A Gigante da Esquina” – entre a Rua Brasil e a Avenida Capitão Índio Bandeira, percebesse seu potencial e o convidasse para anunciar suas ofertas.

Pedro da Veiga, Gerson Maciel, Coronel Bastião, Ilivaldo Duarte e Maika Pereira - homenagens no Tocando de Primeira, na Colmeia AM

INICIATIVA - Então Coronel Bastião tomou a iniciativa e propôs fazer um programa com o patrocínio exclusivo da Casa dos Retalhos. O programa seria todos os dias em duas edições - manhã e tarde- e levaria o nome de "O Rancho do Bastião".  “Já no meio da primeira semana o programa era um sucesso em toda a região, pois só tinha a rádio Colmeia naquele tempo. Pouco tempo depois acabei saindo definitivamente da Casa dos Retalhos e assumi os dois horários na rádio”, lembra.

O TÍTULO DE CORONEL BASTIÃO -  Em 1968, Coronel Bastião promoveu um festival de música sertaneja no

estádio Roberto Brzezinski que teve 40 violeiros inscritos de Campo Mourão e região. O evento foi um sucesso e marcou a vida das pessoas que foram assistir.

 “Depois do evento os compositores foram até a rádio e me deram um título irrecusável. Eles usaram o microfone e anunciaram ao vivo, que a partir do dia seguinte o nome do programa não seria mais o Rancho do Bastião, mas sim, o Rancho do Coronel Bastião, porque eles estavam me dando um título de Coronel da música sertaneja e eu não iria poder recusar”, disse orgulhoso o novo Coronel de Campo Mourão.

Coronel Bastião nos deixou dia 4 de setembro de 2015, aos 79 anos. Um nome que marcou a história da comunicação em Campo Mourão e região, com uma trajetória de quase 50 anos no rádio, que foi uma das vozes mais queridas do rádio paranaense. Com seu estilo único, bom humor e aquele jeito acolhedor de falar com o povo, ele conquistou gerações.

“Quem levantou… levantou! Quem não levantou, está na hora de levantar! Este é o Rancho do Coronel Bastião!”

Com a IA, consegui montar esta única foto ao lado de Coronel Bastião. 



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