
QUEM É JOSÉ MAURINO DE OLIVEIRA? Nasci em Araruna no dia 25/03/1966 (60 anos).
Filho de Valdemar Damião Martins e Marina da Graça Martins.
Casado há 30 anos com a Assistente Social Celia Maria Vieira de Oliveira Martins.
Pai de João Manoel Vieira de Oliveira Martins (30 anos, Gastrônomo atuando em Lisboa/Portugal); Dandara Luiza Vieira de Oliveira Martins (28 anos, Psicóloga) e Lucas Eduardo Vieira de Oliveira Martins (14 anos).
ONDE FOI SUA INFÂNCIA? Nasci em Araruna, mas foi em Campo Mourão, para onde minha família mudou quando
eu tinha apenas três anos, que o mundo começou a se abrir. Minha infância guarda uma memória afetiva poderosa: o pátio da Igreja Luterana. As lembranças mais remotas são das brincadeiras com os filhos do Pastor luterano.Essa convivência foi o primeiro grande exercício de "acolhimento", quebrando barreiras religiosas e sociais antes mesmo de saber o que era política. Foi essa relação de amizade que abriu as portas para o futuro. Através de uma bolsa de estudos, pude frequentar o mesmo colégio que os filhos do pastor: o Instituto Santa Cruz. Esse é um marco de resiliência. Enquanto muitos desistiam, abracei a oportunidade e aprendi a ler aos 11 anos. Foi ali, naquele colégio, que a "enxada" começou a ser substituída pela "caneta" que a vó Dindinha tanto profetizava.
Essa trajetória desenhou um mapa de identidade na cidade: a infância no centro (pátio da igreja), a adolescência no Lar Paraná e a consolidação da juventude e da liderança no Jardim Santa Cruz.
SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL - Uma trajetória profissional de ascensão pelo esforço e dedicação ao serviço público. E com um ciclo completo, comecei na base do setor de serviços em Campo Mourão, passei pelo braço social e de emprego do Estado, e hoje tenho alegria de ser reconhecido como uma liderança dos ambientes de inovação do estado do Paraná.
Entre 1980/1982 fui sorveteiro na Sorveteria Cremone.
Nos anos de 1988/1991, na Ação Social (Faspar): Atuei na regional em Campo Mourão, com foco na assistência e impacto direto na organização e mobilização da comunidade atuando no projeto gralha azul.
Em 1992 e até 1998, fui diretor Administrativo na Universidade Popular do Trabalho (UPT) em Curitiba. E de 1998 a 2000, assessor da Coordenação Estadual do Sine. De 2000 a 2002, assessor na vice-presidência da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). De 2003 a 2005, retornei ao Sine como coordenador Estadual, liderando a política de trabalho do Paraná.
De 2005 a 2010, na Secretaria de Estado de Obras Públicas, coordenei a formação de novos profissionais com a implantação do programa Residência Técnica. De 2005 a 2015, fui professor universitário (Faculdades Dom Bosco, Opet, Uninter e IFPR.
Entre 2011 e 2015, fui diretor de Trabalho e Economia Solidária, na Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária. De 2015 a 2016, assessor na Procuradoria Geral do Estado, de 2016 a 2023, atuei na Secretaria da Fazenda e iniciei a coordenação do Sistema Estadual de Parques Tecnológicos (Separtec).
E de 2023 até o presente estou na Secretaria Estadual de Ciência Tecnologia e Ensino Superior onde assumi a Secretaria Executiva do Sistema Estadual de Parques Tecnológicos.
O QUE GOSTA DE FAZER? Construir pontes. Ao longo de 42 anos de serviço público, minha trajetória consolidou-se na capacidade de "construir pontes e viabilizar caminhos", transformando a inquietude com as injustiças sociais, com o racismo estrutural em uma engenharia estratégica de desenvolvimento pessoal. Das raízes comunitárias em
Campo Mourão à liderança do Separtec, superei barreiras estruturais através do rigor acadêmico e da persistência, deixando como legado um ecossistema de inovação integrado onde o conhecimento das universidades flui para o mercado, gerando oportunidades reais e reafirmando que a experiência é o alicerce fundamental para a vanguarda tecnológica e a justiça social.O QUE FAZ HOJE? Atualmente atuo como Coordenador de Relações Institucionais do Sistema Estadual de Parques Tecnológicos na Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior - Separtec/Seti. O cotidiano é transformar leis e orçamentos em infraestruturas de inovação que mudam a vida do paranaense, garantindo que o Estado seja um polo de excelência em ciência aplicada e geração de novos negócios.
O QUE LEVA A GOSTAR DO SEU TRABALHO? O que alimenta o prazer em trabalhar e o orgulho de ser um líder comunitário é a convicção de estar sempre a serviço do próximo. Onde muitos veem burocracia ou processos, eu enxergo a oportunidade de exercer a solidariedade e a cidadania.
A liderança comunitária foi a minha maior escola, estimulou
o crescimento pessoal. A liderança me levou a lugares que eu nunca
imaginei chegar. Essa jornada me fez amadurecer como homem e como cidadão,
transformando a humildade das origens em uma autoridade técnica respeitada.
Seja organizando os moradores do Jardim Santa Cruz, liderando uma entidade do
movimento negro ou coordenando o futuro tecnológico do Paraná. O motor é o
mesmo: a satisfação de ver o progresso coletivo através do esforço
compartilhado.
SE FOSSE POLÍTICO, QUAIS SERIAM SEUS PROJETOS? Se eu tiver a oportunidade de ocupar um cargo político, quero ser aquele que "constrói pontes entre o conhecimento e a necessidade". Meu trabalho será baseado na voz da experiência de quem já foi sorveteiro e hoje é mestre em economia, focando em projetos que transformam a inovação tecnológica em uma ferramenta de libertação social. Certamente não serei um político de gabinete, mas um articulador de ecossistemas, lutando para que a mesma oportunidade de estudo e superação que tive seja um direito garantido para cada "filho da terra" do Paraná, sempre alicerçado na ética, no diálogo e no compromisso inegociável com a justiça social.

QUEM É PROFISSIONAL EXEMPLO E POR QUÊ? A excelência profissional tem nome e origem: Davi Antunes Camargo (foto). Em uma época em que as referências de sucesso muitas vezes pareciam distantes, Davi surgiu como a grande voz da comunidade do Jardim Santa Cruz no início dos anos 1980.
Como palestrante, Davi ensinou aos meus contemporâneos que a palavra é uma ferramenta de libertação. Ele mostrou que é possível dominar o discurso, ocupar os palcos e influenciar pessoas com conhecimento e eloquência. Davi Camargo foi o farol para a nossa geração. Ele nos mostrou que o jovem da periferia poderia ser um palestrante respeitado, um profissional de elite e um líder comunitário ao mesmo tempo. Ele abriu o caminho para que eu acreditasse na minha própria voz.
ESPORTE PREFERIDO? Futebol.
TIME DO CORAÇÃO? ÍDOLO? Santos e Paraná Clube, e jogador, Sócrates.
QUAL O MELHOR TIME COM QUEM CONVIVEU? Foram vários, tive como meu primeiro chefe Dirceu Jacob de Souza (Foto), ainda quando atuei como estagiário no escritório de Campo Mourão da Secretaria de Indústria e Comercio.
Na secretaria do Trabalho fui chefiado pela Dona Cidália, um pessoa fortemente engajada nos trabalhos sociais e comunitários de Campo Mourão.
Na Secretaria do Trabalho em Campo Mourão tive a primeira experiência de trabalho coletivo. O time atual na Seti, eu defino como "sensacional". É a equipe que me acompanha no auge de minha maturidade profissional, compartilhando a visão de um Paraná inovador. É com este grupo que executo a complexa engenharia do ecossistema de inovação, unindo competência técnica a um entusiasmo contagiante.
POR QUE É APAIXONADO PELA VIDA? A paixão pela vida e pelas causas coletivas nasceu de momentos profundos de
superação. O primeiro grande marco foi o rompimento da timidez: o adolescente reservado encontrou sua voz na Catedral de Campo Mourão quando o Padre Bruno o desafiou a realizar a primeira leitura em uma missa dominical. Aquele convite foi o catalisador que transformou a vergonha em confiança, revelando um espírito de liderança nato.Na juventude, sob a orientação do Padre Nelson Grandi - na foto abaixo, na capa do LP Acorda Povo, ao lado de Luiz Bergonso e Paulinho Silva, , ingressei na Pastoral da Juventude. Ali, compreendi que a fé e a vida pessoal ganham real sentido quando aplicadas ao bem comum. Foi neste solo fértil da militância que surgiu um dos projetos mais significativos para a minha trajetória: em conjunto com lideranças locais, criei e apresentei durante oito anos o programa de rádio "Juventude Construindo a Sua História". O microfone tornou-se uma ferramenta para conscientizar, mobilizar e dar voz aos anseios de uma geração.
Essencial para minha formação e superação de obstáculos sociais e raciais foi a participação no grupo Soasevili (Somos Adolescentes Semeadores de Vida e Libertação).
Sob a mentoria da Irmã Dalva, que contribuiu para forjar minha identidade definitiva como um "Semeador". Essa base sólida me estimulou para atuar como Presidente Fundador da Associação de Moradores do Jardim Santa Cruz. Expandi essa visão para toda a cidade, e tornei-me também o Presidente Fundador da Unimam (União das Associações de Moradores de Campo Mourão).
O QUE LEVA A GOSTAR DO TRABALHO COMUNITÁRIO? O que alimenta o prazer em trabalhar e o orgulho de ser um líder comunitário é a convicção de estar sempre a serviço do próximo. Onde muitos veem burocracia ou processos, eu enxergo a oportunidade de exercer a solidariedade e a cidadania. A liderança comunitária foi a minha maior escola, estimulou o crescimento pessoal. A liderança me levou a lugares que eu nunca imaginei chegar. Essa jornada me fez amadurecer como homem e como cidadão, transformando a humildade das origens em uma autoridade técnica respeitada. Seja organizando os moradores do Jardim Santa Cruz, liderando uma entidade do movimento negro ou coordenando o futuro tecnológico do Paraná. O motor é o mesmo: a satisfação de ver o progresso coletivo através do esforço compartilhado.
O QUE MAIS TE MOTIVA ? O que me move é a profunda convicção de que "o pouco que fazemos pode mudar a vida de alguém". O sucesso não é uma linha de chegada, mas
um lugar de fala e responsabilidade.Como um homem negro que rompeu as barreiras estruturais do Jardim Santa Cruz em Campo Mourão para ocupar cargos estratégicos na capital, entendo que a presença nos espaços de decisão é, em si, um ato político e de representatividade.
Minha maior motivação é ser o exemplo vivo de que a educação, a persistência e a ética podem reescrever destinos, uso o conhecimento que tenho hoje para abrir portas e viabilizar caminhos para que outros também possam vencer.
O QUE MUDOU COM O ADVENTO DA TECNOLOGIA? A grande mudança não é apenas a automação de tarefas repetitivas, mas a automação da inteligência. Saímos do "eu acho" para o "o dado mostra". A IA permite que
pequenas empresas tenham o poder de análise de grandes corporações. Nas relações sociais a IA molda o que vemos nas redes, com quem falamos e até como escrevemos. Ela pode aproximar pessoas por interesses comuns, mas também exige uma nova ética para evitar "bolhas" digitais.Se antes a sabedoria estava concentrada em grandes centros ou bibliotecas, hoje ela está na palma da mão. Hoje, aquele jovem do programa "Juventude Construindo a sua História" e "Uma Luz no Infinito", não precisa de uma antena de rádio, ele pode ter um estúdio global no telemóvel. A tecnologia pulverizou o poder da fala.
Estamos diante de um grande desafio, a Inovação com Humanidade. O que não mudou e talvez tenha se tornado ainda mais vital é o que sempre defendo: o serviço ao próximo. A tecnologia sem propósito é apenas ruído. A IA é o "novo normal", mas o "velho normal" dos valores humanos — ética, empatia e justiça social é o que deve guiar o algoritmo.
QUAIS SÃO DESAFIOS PARA UM MUNDO MELHOR? O maior desafio da atualidade é garantir que a tecnologia não roube a nossa humanidade. Um mundo melhor não se constrói apenas com fibra ótica e inteligência artificial, mas com a cultura da paz, o calor do acolhimento e o retorno à simplicidade. O progresso só faz sentido se nos tornar mais humanos, mais próximos e mais solidários, preservando os encontros reais que são o verdadeiro alicerce de uma vida com propósito.
QUAL DECISÃO MARCOU SUA HISTÓRIA E SUA VIDA? Toda grande história tem um momento de ruptura, e ele ocorreu quando questões políticas forçaram minha transferência de Campo Mourão para Curitiba.
Decidir por Curitiba significou largar o coração da obra que realizava até então, todo o trabalho comunitário, o programa de rádio, as raízes construídas no Jardim Santa Cruz. Foi um ato de coragem deixar o lugar onde era "liderança máxima" para ser mais um na imensidão da Capital.
Escolher Curitiba foi uma aposta na capacidade de superação. Troquei o reconhecimento local pela oportunidade de testar força em um cenário maior, mais complexo e, muitas vezes, mais hostil. Curitiba foi o solo que transformou o líder comunitário regional em um estrategista estadual.
QUAIS CONQUISTAS ESTÃO NA SUA HISTÓRIA? A minha história é pontuada por vitórias que desafiam as estatísticas. A maior delas ocorreu em 1991, quando venci um coma de sete dias, após um grave acidente jogando futebol, uma conquista da vida que reafirmou meu propósito na Terra.
No campo público, minha maior marca foi a histórica campanha de 2000 para a vice-prefeitura de Curitiba: uma vitória política moral que, mesmo sendo derrotado no segundo turno por uma margem de apenas 1,5%, provou que um homem negro, vindo do interior e forjado no movimento comunitário, poderia balançar as estruturas da capital. Essas conquistas não são apenas troféus pessoais, mas marcos de uma existência dedicada à superação e ao serviço.
CITE TRÊS PERSONALIDADES EM CAMPO MOURÃO?
José Divino da Rocha: A personificação da autenticidade. Líder comunitário da Vila Urupês e parceiro na fundação da Unimam - União dos Moradores de Campo Mourão- , José Divino me ensinou que a simplicidade não é barreira para o enfrentamento. Como servidor da Prefeitura/Codusa, ele mostrou que a verdadeira liderança nasce da convivência real e dos desafios superados no dia a dia da comunidade.
Rubens Bueno: A referência de lealdade e conduta progressista. Mais do que um ex-prefeito e deputado, Rubens Bueno é um companheiro fiel. Foi a sua ação decisiva e humana que salvou a minha vida no acidente de 1991, consolidando uma relação de gratidão e alinhamento político que atravessa décadas.
José Pochapski:O visionário. Ex-prefeito de Campo Mourão, foi o grande impulsionador do movimento comunitário na região.
Pochapski, -nas fotos acima com o governador José Richa e o bispo diocesano dom Virgílio de Pauli, e o atual prefeito Douglas Fabrício-, teve a coragem de ser um gestor disruptivo em uma época de grandes carências, abrindo as portas da prefeitura para a participação popular e servindo de inspiração para o que executo hoje na gestão pública.
UMAS E OUTRAS
ÉTICA: para quem foi formado no Soasevili e na Pastoral da Juventude, a ética é inseparável da justiça social. Ela é o compromisso de que cada decisão técnica tomada em um gabinete deve, obrigatoriamente, melhorar a vida de alguém na ponta, lá no bairro. É a consciência de que o poder e o conhecimento só são éticos se forem usados para incluir, nunca para excluir.
Como um homem negro em espaços de poder, a ética também é uma questão de honra e representatividade. É honrar a história de quem veio antes e abrir caminho para quem vem depois.
Ser ético, nesse contexto, é não esquecer as raízes do Jardim Santa Cruz enquanto se projeta o futuro tecnológico do Paraná. Se pudéssemos resumir a sua ética em uma frase, baseada em tudo o que já viveu, seria: Ética é a arte de construir pontes que suportem o peso da verdade e o passo dos excluídos
MÚSICA: música não é apenas entretenimento, é a trilha sonora da consciência política e espiritual. A música servia para atrair os jovens, nos programas "Uma luz no infinito" e "Juventude construindo sua história", na Rádio Humaitá, mas também para transmitir mensagens de justiça social e protagonismo. Uma boa música é aquela que, além de um bom ritmo, carrega uma mensagem que transforma.Nas imagens abaixo, José Maurino com o amigo Lafaiete, que também fez parte da história da comunicação católica no rádio mourãoense.
LIVRO: Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie. Esse livro funciona como um manual de diplomacia e humanidade. O livro ensina que a influência real não vem da imposição, mas da empatia.
CAMPO MOURÃO NA SUA VIDA: Campo Mourão é o meu ponto de partida e o meu eterno ponto de retorno. É a cidade que me ensinou que o pouco que fazemos pode mudar a vida de alguém. Se hoje coordeno a inovação no Estado, é porque aprendi a inovar primeiro na simplicidade das reuniões de bairro e na solidariedade das ruas mourãoenses. Sou o resultado de cada amizade, de cada oração na Catedral e de cada luta no Santa Cruz.
O trabalho é a a razão pela qual não mudaria uma vírgula da minha história: cada passo foi dado para que hoje, aos 60 anos, possa olhar para o lado e ver que o meu maior patrimônio não são as leis que ajudei a escrever ou os parques que ajudei a criar, mas as pessoas que amam o José Maurino 'pai', 'marido' e 'filho'.
RELIGIÃO: nunca foi um
conjunto de regras frias ou apenas um rito de domingo, ela é a escola
da oratória e a bússola da justiça social. A fé é o
alicerce que transformou a timidez do menino em Campo Mourão na coragem do
líder que o Paraná conhece. É a força que me manteve firme durante os sete dias de coma em 1991 e a sabedoria que guia as decisões tomadas no serviço público. A fé não se encerra nas paredes de uma catedral, ela transborda para o microfone da rádio, para as reuniões da comunidade e para cada projeto que busca dar dignidade aos filhos de Deus, que a sociedade muitas vezes esquece.
Compreendo que a vida é um fluxo contínuo — como as ondas da música de Lulu Santos e que tentar alterar o passado seria desmerecer o aprendizado que me trouxe até aqui.
Essa ausência de arrependimentos reflete um homem em paz com sua consciência, que entende que a beleza da vida está justamente no seu "indo e vindo infinito". Tudo foi exatamente como deveria ter sido para que o "Semeador" de Campo Mourão se tornasse a liderança inspiradora que o Paraná respeita hoje.
MOMENTO ATUAL DA SUA VIDA: minha rotina é não ter rotina. Minha atuação tem sido cada vez mais de mobilizar e articular o sistema estadual de ambientes de inovação, promovendo o empreendedorismo e a inovação. Mas, também encontro tempo para realizar um trabalho voluntário junto a Central Única das Favelas/Cufa e para me envolver em projetos sociais do movimento negro.
QUAL PROJETO AINDA A SER REALIZADO? O projeto que ainda quero realizar não é uma obra de concreto, mas uma obra de gente. Sonho em ver o ecossistema de inovação que ajudei a criar no Governo do Paraná, chegar com força total na ponta, na periferia, na mão de quem mais precisa. Meu projeto é garantir que a tecnologia seja a nova ferramenta de libertação social, permitindo que o sucesso de um homem negro de Campo Mourão deixe de ser uma exceção e passe a ser o caminho natural para muitos outros.QUAL VIAGEM GOSTARIA DE FAZER? Gostaria de conhecer Cuba e os países da África.
UMA ESPERANÇA: A esperança não é um sentimento passivo, de quem apenas senta e espera o tempo passar. É a
"esperança" do verbo esperançar, como ensina Paulo Freire: a esperança que se traduz em ação, em projeto e em compromisso com o outro.Minha esperança é como uma onda. Ela vai e vem, às vezes encontra resistência, mas nunca para de se movimentar. É a certeza de que o amanhã pode ser melhor se hoje formos capazes de plantar a semente da ética, do conhecimento e do amor ao próximo. Como diz a música, “o novo sempre vem, e minha esperança é que ele venha com mais acolhimento e menos muros”.
UM SONHO: que minha história, de sobrevivente, de líder comunitário e de professor sirva de combustível para quem hoje se sente invisível. A esperança de que o meu caminho ajude a consolidar um mundo onde a cor da pele ou a origem geográfica não sejam limites para o talento de ninguém.
SAUDADES... DE QUEM E DO QUÊ? Vovó Dindinha é a raiz mais profunda de toda a minha história. Em uma época e um contexto onde a sobrevivência imediata forçava jovens a trocar a escola pelo cabo da enxada na boia-fria, ela teve a visão profética: A enxada do Zezinho será a caneta. (Maurino era o Zezinho da família).
COMO SE DEFINE? Um homem que transformou a inquietude diante das injustiças sociais na bússola de sua trajetória. Líder comunitário por convicção, superou barreiras sociais e raciais por meio da educação e da persistência inabalável, fazendo da luta por igualdade de oportunidade a âncora de toda a sua vida pública.
COMO OS OUTROS TE VEEM? Gostaria de ser visto como um "Pontífice", no sentido original da palavra —aquele que constrói pontes. Pontes entre o passado e o futuro, entre a comunidade e o governo, e entre a ciência e o mercado. Um homem respeitado pela consistência: a mesma inquietude com as injustiças que tinha na juventude em Campo Mourão é a que uso hoje para garantir que a inovação chegue a todas as pessoas e regiões do Paraná.
LEGADOS QUE QUER DEIXAR ? Servir de inspiração para jovens de comunidades como a do Jardim Santa Cruz em Campo Mourão, e para a população negra. O legado que quero deixar é a mensagem de que um homem negro e líder comunitário pode tornar-se uma referência técnica estadual nas áreas da ciência, tecnologia e inovação, sem perder a sensibilidade para com as injustiças. No serviço público este legado traduz-se na humanização das políticas públicas através da inovação regional.
SER CONVIDADO PARA HOMENAGEM NA ENTREVISTA DE DOMINGO NO BLOG DO ILIVALDO DUARTE?
Para um entrevistador que começou no rádio em Campo Mourão, sei que você valoriza o peso de uma boa narrativa. Ao chegar aos 60 anos e 42 de serviço público, ser o protagonista de uma entrevista no BLOG DO ILIVALDO DUARTE é como realizar uma "prestação de contas" afetiva com a minha história. É o momento de transportar as vivências do Jardim Santa Cruz para os gabinetes da Seti e valorizar a sabedoria partilhando com quem me acompanha.
RECADO AOS LEITORES. Ao completar 60 anos, convido os seus leitores a acreditarem na educação como a "caneta" que substitui a enxada pesada e transforma destinos, honrando as raízes e a sabedoria de quem veio antes. Com a serenidade de quem aceita o fluxo da vida como um "indo e vindo infinito", reforço que a verdadeira superação nasce da ética, do orgulho pelas próprias origens e do compromisso de transformar o "eu" em "nós". Meu recado é um chamado à esperança: para que o futuro tecnológico seja, acima de tudo, humano, e para que cada um caminhe sem arrependimentos, reconhecendo o valor sagrado de cada vírgula da sua própria história.
QUAL PERGUNTA GOSTARIA DE TER RESPONDIDO? QUAL O SEU PRÓXIMO PASSO, PARA QUE SUA VOZ CONTINUE MAIS FORTE DO QUE NUNCA? Meu próximo passo é transformar a vivência em legado, garantindo que a "caneta" que recebi da minha avó continue escrevendo por outras mãos.
Para que minha voz siga forte, pretendo focar em três frentes essenciais neste novo ciclo, a saber: Mentoria e Formação de Novas Lideranças: Quero dedicar meu tempo a orientar jovens, principalmente negros e periféricos, que assim como eu no Jardim Santa Cruz, possuem o desejo de mudar sua realidade. Minha voz será mais forte ao ecoar na voz deles, ensinando que a política e a gestão só fazem sentido se houver acolhimento e ética. Fortalecimento da Comunicação Digital: Vou aprofundar o debate sobre como a tecnologia pode ser humanizada, unindo a experiência de quem viveu 42 anos no serviço público com as possibilidades da inovação. Registro Histórico: O projeto de um livro ou de um memorial mais robusto está no horizonte. Registrar as lições dos grupos de Jovens (Mocam/Junicris/Soasevili), as batalhas comunitárias e os bastidores da inovação no Paraná é uma forma de garantir que a história não se perca e que o "indo e vindo infinito" da vida sirva de bússola para os que virão.


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