29 de nov. de 2011

COLUNA DO PROFº JOSÉ EUGÊNIO MACIEL: Eleição para diretores, voto e responsabilidade


"... nada melhor do que exercer a democracia na própria escola. O lema, aliás, que nos pautou a conceber o projeto, era o de que a
democracia se aprende na escola, sobretudo”.
Rubens Bueno (foto) deputado federal.
Na democracia a liberdade é imprescindível. A expressão livre, para ser democrática, ocorre plenamente através do voto. O voto é a escolha com autonomia de uma vontade engendrada na opção de cada um a ser somada ao que chamamos de vontade geral, da maioria, uma suprema afirmação coletiva.
Sem embargo, o ponto mais notável e culminante da democracia é o ato de votar. As eleições são a mais cristalina condição e demonstração do processo político-institucional. Entretanto, ao mesmo tempo em que não se pode afirmar a existência da democracia se não existir o voto, é preciso advertir, somente o voto não configura a democracia. Mas infelizmente tem sido essa a visão e a prática encontrada em significativas parcelas da sociedade. O povo age como se bastasse apenas comparecer às urnas. O eleitor vota e volta para a casa achando que não lhe cabe nada mais significativo. Terminado o processo eleitoral são muitos que compreendem ser a responsabilidade integral cabível aos eleitos. O tão elevado momento, o do voto, se torna arrefecido, diluindo no cotidiano da esfera pública à medida que a participação popular é inexistente ou sazonal, situada na maioria das vezes no âmbito da formalização engessada do poder e a sociedade.
Seguramente a eleição para diretores das escolas públicas do Paraná é por si só extremamente representativa em razão da escolha livre e aberta por parte dos funcionários de cada estabelecimento de ensino, dos professores, dos estudantes e pais deles, enfim da comunidade educacional. A Lei que a instituiu, nº 7.961/84, de autoria do então deputado Rubens Bueno, teve o mérito imediato de acabar com a indicação político-partidária tantas vezes divorciada dos verdadeiros interesses educacionais. A Lei, com a sua realização, se antecipava a Constituição Federal, aprovada em 88, em termos do conteúdo que primava pela cidadania, o que nas escolas do Paraná já era uma prática executada também com prisma político-pedagógico.
Embora todas as escolas possuam características semelhantes ou muito parecidas entre elas, cada estabelecimento de ensino tem a sua própria história, identidade e peculiaridades específicas. Em cada uma existe o modo de ser que espelha o que são seus integrantes, considerando ainda o contexto social no qual o estabelecimento se situa. Por isso, mesmo que o poder público proporcione em geral o repasse igualitário de recursos e verbas para a sua mantença, elas têm uma aparência, feição, conteúdo e funcionamento que ensejam até mesmo profundas diferenças. Nesse diapasão, as eleições têm no bojo da escolha aspectos concernentes a realidades exclusivas: candidaturas únicas; disputa de chapas; maior ou menor participação no processo eleitoral; grau de politização; número de comparecimento daqueles que vieram exercer o seu direito democrático, configuram estágios que podem refletir uma multiplicidade de variantes.
Para se fazer uma feijoada completa é indispensável logicamente o feijão. Porém, somente com o feijão não se faz a feijoada. O voto é o feijão da democracia. Democracia que, portanto, não existe se não tiver o feijão. Entretanto, existem outros ingredientes que precisam compor uma feijoada. Assim sendo, a democracia é um processo político-institucional que não começa e nem termina como voto, ainda que – repita-se – seja a eleição o ponto mais visível/culminante de todo o processo de uma escolha. A liberdade como bem irrenunciável por parte de todos, conteúdo substancial da democracia, deve estar associada com o estado de direito, com a organização social acima de objetivos de grupos ou de corporações. E não carece tecer maiores comentários o quanto é essencial à prática democrática na educação, em cada escola. É na escola onde o pensamento crítico da política deve ser informado, analisado, formado, elencando a junção salutar da teoria e da prática. É nela em que a liberdade de escolha e a escolha com liberdade é para ser semeada, cultivada e florescer como viço da maturidade e normalidade democráticas.
Se o voto é o feijão, a feijoada completa antecede e se desdobra após a ida às urnas. Principalmente na elaboração e execução do Projeto Político-Pedagógico, a comunidade educacional tem o dever cotidiano construir permanentemente a melhor escola, eis o papel e a responsabilidade de todos, a prosseguir e se consolidar após essas eleições, com mobilização para que cada momento do ensinar/aprender seja de realizações positivas da qualidade do conhecimento voltado para a formação e o despertar da cidadania.
Fases de Fazer Frases (I)
O ser humano pode ser a medida do que medita.
Fases de Fazer Frases (II)
Tão importante que a “sorte está lançada”, é ter a sorte de se lançar nela.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Por lecionar à noite, cheguei depois de encerrada a fala em homenagem ao centenário de Roberto Brzezinski. Mas foi fácil constatar o enorme prestígio da família Brzezinski ao reunir enorme plêiade de pioneiros mourãoenses e amigos. Foi também o lançamento do livro do historiador Jair Elias dos Santos, responsável pela biografia do homenageado. Tive a honra de aceitar o convite do amigo escritor para prefaciar a obra: Roberto Brzezinski – Semeador de Esperança. E honra pelos descendentes do homenageado serem meus amigos diletos, herança dos meus mais. No mais, claro que não pelo modesto prefácio, o livro e saborosamente uma história documentada e narrada com ricos exemplos do ilustre prefeito de Campo Mourão.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Na última quarta, aconteceu o primeiro Fórum da Comunicação Social. A iniciativa e apoio da Assessoria de Comunicação do Município de C. Mourão foi marcado pelo excelente conteúdo das duas palestras: o professor Neil Franco, doutor em Estudos da linguagem, abordou “Jornalismo e (re) construção de linguagem nas práticas discursivas”. E discorrendo sobre “Conversa com a imprensa”, o jornalista Wilson Serra trouxe à reflexão os 40 anos de experiência profissional. Com um bom público, o mencionado encontro teve o respaldo de praticamente todos os veículos de comunicação existentes na cidade e a presença de seus respectivos profissionais. Merece estaque a ideia e empenho do secretário da comunicação Vanderlei Maciel Camargo para que o Fórum tivesse o sucesso alcançado, haja vista as muitas manifestações neste sentido, as quais o escrevinhador aqui se junta. Aliás, embora o primeiro sobrenome do secretário ser Maciel, nós não somos parentes, portanto, o elogio a ele independe da tal coincidência.
José Eugênio Maciel é mourãoense, filho de pioneiros, professor, sociólogo, advogado, escritor e membro da Academia Mourãoense de Letras

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