13 de mai de 2017

ENTREVISTA DE DOMINGO Maria Joana Titton Calderari

Professora, cidadã, esposa, mãe e avó: Maria Joana Titton Calderari, generosa, guerreira e fagueira. És catarinense, bela, videirense e mourãoense.
Da Capital da Uva, tão garbosa e altaneira para a Capital do Centro-Oeste do Paraná e sede do maior entrocamento rodoviário do Sul do Brasil. 
Maria Joana, merecidamente, recebe esta homenagem pelo que é, pelo que fez e faz. E em um final de semana muito especial, com as comemorações dos 100 anos da aparição de Nossa Senhora em Fátima (Portugal), do Dia das Mães e dos 70 anos do seu esposo -Ricardo Accioly Calderari. Viva! 
Várias motivações ser Celebridade na ENTREVISTA DE DOMINGO no BLOG DO ILIVALDO DUARTE e contar um pouco da sua história e relembrar momentos da sua vida familiar, pessoal, social, comunitária e profissional. 
Com o teu despertar mantém firme seu lar e felizes seu marido, filhos, genros e netos, os quais sabem muito te amar. E como está na letra do hino da sua terra natal, é da dedicação e amor sem fim que a sua vida é esperança, é amor, é fé, é felicidade. Viva!
Ótima leitura. 

QUEM É MARIA JOANA TITON CALDERARI?  Sou esposa de Ricardo Accioly Calderari (Lapa - PR),


mãe de três meninas mourãoenses (Mirele, Graziela e Ivone Maria)....

que nos presentearam com sete netos maravilhosos: João Antonio (sete anos- Ctba), Isabel (5 anos- Ctba), Maria Luiza (4 anos - Blumenau), Laura (2 anos-Ctba) Francisco (2 anos-Ctba), Ricardo (1 ano- Blumenau) e a caçulinha Júlia (9 meses-Ctba).

Nasci em Videira, interior de Santa Catarina em 13 de abril de 1951. Lá passei minha infância e adolescência. 
NOTA DO BLOG: A colonização de Videira foi iniciada em 1918, na então Vila do Rio das Pedras. Em 1921, os italianos e alemães dividiram Videira em Perdizes e Vitória. A instalação oficial do município aconteceu em 1944 e o nome Videira deve-se ao fato de a região ser um grande centro vitivinicultor do estado - o município recebia diversos imigrantes de origem alemã e italiana vindos do Rio Grande do Sul. Em 1913, antes mesmo da fixação dos primeiros colonizadores, foi colhido um cacho de uvas pesando 1,3 kg. O avanço dos parreirais deu origem à primeira Festa da Uva, em 1942. Em 11 de dezembro de 2002, a cidade recebeu da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina oficialmente a denominação de “Capital Catarinense da Uva” - 



HINO OFICIAL DE VIDEIRA (Capital da Uva)


Letra: Rubens Mendes de Moraes e música: Maestro Antonio Alberto Ramos.


Os litígios e as lutas de outrora, 


A rudez dos confrontos de então, 


Foram fatos bem tristes da aurora 


Dos teus dias no pleno sertão. 


Um mesclado de sangue, de raças, 


Que o valor do teu povo gerou, 


Alijando a discórdia e as desgraças, 


Pela paz e progresso implantou! 


Oh! Querência amada, generosa e fagueira! 


És catarinense, Bela e videirense Terra Brasileira! 


Capital da Uva, tão garbosa e altaneira, 


Deus nos permite a sorte 


De viver até a morte Em tua glória, Videira ! 


Da estação Rio das Pedras, Perdizes, 


Da erva mate no teu despertar, 


Mais te elevas, mantendo felizes Os teus filhos, 


que sabem te amar. 


Hoje vives da indústria na lida, 


E da terra em fecundo labor, Dando prova eloqüente que a vida É trabalho, é esperança, é amor."


Com 17 anos fui para Curitiba continuar os estudos na Universidade Federal do Paraná, onde me formei em 1972. 



Em 24 de fevereiro de 1973 casamo-nos na Igreja do Rosário, vindo morar em Campo Mourão. 

Sou há 44 anos mourãoense. Já vivi muito mais tempo aqui que na minha própria terra natal.



COMO SE DEFINE? Na maturidade dos meus 66 anos me defino como uma mãe-avó preocupada com a saúde, educação, futuro dos seus, do Brasil, do mundo. A jovem sonhadora, batalhadora, briguenta até, que fui ainda mora no fundo do coração, mas a experiência da vida nos faz rever as prioridades, ponderar mais as ações, ver mais longe.
ONDE FOI SUA INFÂNCIA? Infância alegre
cercada pelos familiares e amigos na pequena cidade de Videira, capital da uva. Última filha de uma família numerosa de sete irmãos, muitos primos, tios, avós, muito religiosa, participando da vida da igreja, da escola, da comunidade.
COMO FOI SUA ATUAÇÃO NA JUVENTUDE? Estudei sempre em escola
pública, de orientação religiosa das irmãs Salvatorianas onde participava de tudo inclusive do grupo de jovens- JEC- Juventude Estudantil Católica. Na Paróquia fui catequista, da equipe de liturgia, do coral.
QUE HISTÓRIAS OU FATOS LEMBRA? Sempre gostei de escrever e junto com uma amiga criamos um jornalzinho da turma, impressos nos velhos mimeógrafos a álcool, onde registrávamos os eventos, as brincadeiras da turma da antiga Escola Normal.
DESDE QUANDO EM CM E POR QUÊ? Conheci Campo Mourão através dos olhos do então namorado Ricardo que viu nesta região, conhecida na época por ser "terra dos 3 S- sapé, samambaia e saúva", o futuro da agricultura. Era 1970 e as nuvens de terra vermelha eram comuns com o pouco asfalto, as terras reviradas pelos tratores. Ambos viemos para cá recém-formados, ele em janeiro de 1971, eu em março de 1973 e aqui construímos nossa família, nossa vida pessoal, profissional e comunitária.
QUAL A SUA GRADUAÇÃO? O meu gosto
pela escrita me levou ao Curso de Letras, mas sempre interessada na área pedagógica e filosófica, muito bem trabalhada da minha antiga Escola Normal.
COMO FOI SUA TRAJETÓRIA PROFISSIONAL?  Comecei a lecionar para quarta série primária, ainda estudante do terceiro ano de magistério em Videira. Em Curitiba continuei trabalhando como professora primária no Colégio Divina Providência. Em Campo Mourão trabalhei desde 1973 como professora de primeiro e Segundo grau de português-inglês e mais tarde Ensino Religioso Interconfessional. Em 1979 fui convidada a trabalhar no Núcleo Regional de Educação, em funções administrativas e mais tarde, pedagógicas.
O QUE FEZ NO SEU TRABALHO QUE NÃO FARIA DE NOVO?  Envolvida nas questões administrativas, fui convidada pelo professor Agenor Krul a assumir o cargo de Inspetora Estadual de Educação em 1983. O envolvimento político de cargo deixou muitas marcas, preocupações e terminou com meu pedido de exoneração.
E NA 
COMUNIDA-DE? No momento tenho tido pouco tempo para assumir compromissos na comunidade. O cuidado com a saúde da família, especialmente o apoio aos sete netos tem ocupado todo meu tempo. Mas sinto falta dos trabalhos junto aos professores, catequistas, seminaristas, alunos da Escola Diaconal…
COMO ENTROU A EDUCAÇÃO E A RELIGIOSIDADE EM SUA VIDA? A chefe do NRE professor Dirce Wanderbrook recebeu um pedido do então bispo Dom Virgilio de Pauli (foto) para indicar um professor para implantar e coordenar o
Ensino Religioso Inerconfessional. Consultada como inspetora para indicar alguém, respondi prontamente que sairia da inspetoria e gostaria de assumir a função que deu novo rumo a minha vida. Cresci muito no trabalho junto à equipe do SER- Serviço de Ensino Religioso, no contato com os professores a quem tínhamos a responsabilidade de repassar os conteúdos recebidos nos cursos da Assintec.
DESDE QUANDO COLABORA COM O JORNAL SERVINDO E O QUE MOTIVA A ESCREVER SOBRE RELIGIÃO? Graças ao trabalho feito nos cursos com os professores desde 1984 e na assessoria dos cursos de formação da Diocese, fui convidada a escrever no jornal Diocesano Servindo desde 1999 até hoje. No começo escrevia sobre a conjuntura brasileira e a visão da igreja. 

Nos últimos anos tenho escrito sobre temas ligados a
religião com menos viés político, de acordo com a linha do jornal. 
Escrevi também semanalmente para o jornal Gazeta do Centro Oeste desde 2007 até seus últimos anos de existência, dirigido pelo casal Sonia e Aroldo Tissot. Sou colaboradora também da Cidade Em Revista.
COMO FOI SER ESCOLHIDA COMO MEMBRO DA ACADEMIA MOURÃOENSE DE LETRAS? Ocupo a cadeira 25 da AML, cujo patrono é Túlio Vargas. Recebi o convite com grande alegria e responsabilidade. Apesar de ter muitos textos publicados, não os tinha reunido em nenhuma obra. Com o convite, senti imensa necessidade de fazê-lo e rapidamente nasceu o primeiro livro:” Retalhos costurados no fio da Fé e da Esperança”, lançado no dia da posse, em 2009. Graças à internet, neste dia fomos agraciados com a notícia da chegada do primeiro neto. Foi um dia de emoção triplicada e a certeza da continuidade. Árvores já plantei muitas, lançar o primeiro livro e  a chegada do tão sonhado neto!
Imagens da posse em 6 de junho de 2009 na Biblioteca Municipal Professor Egydio Martello em Campo Mourão; e abaixo, com colegas confrades e confreiras da AML em reunião ordinária e sessão solene da entidade, reunindo entre os quais, os saudosos ex-presidentes Francisco Irineu Brzezinski, Rubens Luiz Sartori e Aroldo Tissot, e Amani Spachisnki de Oliveira.

O QUE GOSTA MAIS DE ESCREVER?  Atualmente gosto de escrever sobre a maravilhosa


experiência da “voternidade”, a alegria de ver nossos sete (Como Deus foi generoso conosco!) fofos crescendo, descobrindo a vida, nos ensinando tanto. Ainda sairá, quem sabe, um livro sobre este tema e se o tempo permitir sobre viajar, uma grande paixão!
OS ALUNOS DE HOJE ESTÃO ESCREVENDO MELHOR? O acesso a informações em tempo real, a infinitas tecnologias de pesquisa não garante a melhor qualidade dos textos. Para os jornalistas fica difícil ser imparcial e saber onde está a verdade. Para os alunos, muito copie/cole e pouco trabalho criativo.
QUAL O ESPORTE PREFERIDO, ÍDOLO E TIME? Sou uma boa torcedora do Brasil em todos os sentidos e esportes, mas não tenho um esporte ou um time em especial. Deixo para o Ricardo - Esposo,  torcedor do Coritiba, Fluminense e Corinthians- curtir sua coleção de times do coração.
QUAL O MOMENTO E O FUTURO DA NOSSA EDUCAÇÃO E DO ENSINO RELIGIOSO? Preocupante. Há uma distância entre o que propõe as leis e a realidade. Somente quando a educação for prioridade nacional haverá esperança para o futuro do país. Da mesma forma o ensino religioso, apesar de estar na LDB não é prioridade e são poucos os professores habilitados dentro da proposta da interconfessionalidade.
QUAIS ATRIBUTOS PARA SER UM PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO RESPEITADO E FELIZ?  Gostar do que faz e fazê-lo com dedicação, amor apesar de tantos problemas, principalmente a indisciplina, a falta de estrutura, a desvalorização da profissão.
QUAIS AS DIFERENÇAS DA EDUCAÇÃO DE ONTEM E DE HOJE? Tenho muitas saudades do tempo em que o professor era visto com respeito, como autoridade do saber pelos pais e alunos. A palavra do professor era aceita e seguida em minha casa. Não adiantava justificarmos, a razão era do professor. A pergunta dos pais aos filhos era: O que você fez para o professor? Hoje os pais fazem essa pergunta aos professores: O que você fez para meu filho… Educação recebíamos em casa e na escola o conhecimento, o desejo de saber e buscar sempre mais.
O QUE FARIA PARA MELHORAR A EDUCAÇÃO E VALORIZAR OS PROFESSORES?minha pequena experiência de poder não deixou muita saudades. Não basta se ter o poder do papel é necessário ter o poder da autoridade-servico que sabe arregimentar forças para o trabalho num verdadeiro mutirão nacional.  Melhorar a educação é tarefa de décadas e envolve muitas pessoas, desde a família, os professores, a comunidade. É necessária uma conscientização, uma mobilização geral, nacional da importância e necessidade de melhoria da educação. E demandam recursos, treinamento, investimentos, cobrança, valorização dos resultados.
QUE MANCHETE FICOU NA HISTÓRIA? Foram tantas… Lembro com tristeza do anúncio da morte do Tancredo em plena semana Santa… 

Eram tantas as esperanças de um Brasil melhor depois da maravilhosa campanha das Diretas Já!

QUAL MOMENTO FICOU NA HISTÓRIA?  A saída de minha casa, da minha terra natal, com 17 anos, para ir fazer vestibular em Curitiba.  Era filha caçula de uma mãe que havia enviuvado há poucos anos, com muitas dificuldades econômicas...Foi um grande e difícil desafio.
QUAIS, ENTRE TANTAS,
EXPERIÊNCIAS NÃO SAEM DA SUA MEMORIA? Os cursos maravilhosos, com professores excepcionais que fizemos em Curitiba, nos bons tempos da Assintec que coordenava o ensino Religioso no Paraná.
QUAL JOGADA QUE, SE PUDESSE VOLTAR NO TEMPO, JAMAIS TERIA FEITO? Não ter a malícia e o cuidado para saber lidar com pessoas que fazem tudo para conquistar o poder.
O MOMENTO ATUAL DA SUA VIDA É...
Ir  tocando em frente...” devagar porque já tive pressa…HOJE ME SINTO MAIS FORTE,MAIS FORTE, mais feliz quem, só levo a certeza de que muito pouco eu sei, que nada sei...” como diz o poeta Almir Sater.
O QUE AINDA NÃO FEZ QUE, SE TIVESSE CONDIÇÕES, AINDA GOSTARIA DE FAZER?   Viajar pelo mundo, conhecer os lugares, os costumes, as pessoas, a forma como se relacionam com Deus… Sem pressa de voltar…
CITE TRÊS PERSONALIDADES ESPORTIVAS EM CAMPO MOURÃO. Admiro os corredores anônimos, os bicicleteiros que encontramos pelas estradas todo o sábado quando vamos para a roça… Todos os que conseguem praticar algum exercício, mesmo sem nenhuma medalha são as minhas personalidades Saúde.
CITE TRÊS PERSONALIDADES. Da mesma forma lembro-me de tantas pessoas que não vistas como celebridades e humildemente fazem o bem, ajudam ao próximo, rezam pelo mundo, socorrem os necessitados… As irmãs do Carmelo, do Caminho, os voluntários de tantas entidades assistenciais, da pastoral da saúde.
. JOGO RÁPIDO
MÚSICA– Con te partiró, de Andrea Bocelli.
UM LIVRO- A viagem de Theo- romance das Religiões- Catherine Clément.
UM AUTOR?- Rubem Alves.
UMA PROFESSORA? Irmã Auristela que me iniciou no gosto de ensinar.
UMA FRASE BÍBLICA?Salmo 23(22) especialmente o versículo 4. “Embora eu caminhe pelo vale das sombras, nenhum mal temerei, pois junto a mim estás, teu bastão e teu cajado me deixam tranqüilo.”
O QUE É SER VÓ SETE VEZES?- Paixão multiplicada por 7=perfeição
SONHO? “Imagine todo o mundo, vivendo a vida em paz…”J.Lennon
SAUDADE? DO QUÊ E DE QUEM? Da alegria da infância, minha, das minhas meninas, dos netos que já estão crescendo…
MOMENTO INESQUECÍVEL? O nascimento dos netos, especialmente o primeiro. A vida continua…
HOBBY? Cuidar da terra, das orquídeas, das flores, frutos.
MANIA? Fazer muitas coisas ao mesmo tempo e nem sempre conseguir terminá-las. Um dia termino… se Deus permitir…
UM PROGRAMA? Roda Viva, TV Cultura.
TÍTULO? O arauto da Paz, da Fraternidade, da Bondade para o Papa Francisco.
FRUSTRAÇÃO? Não ter conseguido ver o Ensino religioso devidamente implantado dentro da proposta enviada pelo Fórum Nacional de Ensino Religioso.
FAMÍLIA É a raiz de nossa existência, que nos prende a terra, nos sustenta, nos dá a direção.
RELIGIÃO É o caminho que nos religa (religere) a nós mesmos, aos outros, ao mundo e a Deus.
A CAMPO MOURÃO DO PRESENTE É uma promessa que esperamos se realize plenamente. Condições nós temos. Basta nos unirmos.
A CAMPO MOURÃO DO FUTURO. A concretização do que diz o seu hino: “Campo Mourão, modelo do Paraná, lindo torrão, mais lindo de quantos há. (…) Teu povo bom e hospitaleiro, tuas riquezas sem igual, simbolizam o celeiro da grandeza nacional.”
QUAL O SENTIMENTO DE RECEBER ESTA HOMENAGEM? Gratidão, alegria, saudades… Uma oportunidade única de viajar p dentro de mim mesma.  Emocionante.
QUEM GOSTARIA DE VER HOMENAGEADO AQUI NO BLOG? A arte e a criatividade do Auri Salvador.


Excelente. Ele foi homenageado em maio de 2010, portanto há quase sete anos.
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http://ilivaldoduarte.blogspot.com.br/2010/05/entrevista-de-domingo-auri-salvador.html
QUAL O RECADO PARA OS LEITORES DO BLOG? Não vamos desistir do Brasil!  Estamos no começo da limpeza, a água sai muito escura, mas vai limpar, vai clarear… Há luz no final do túnel e nós vamos atravessá-lo…
QUAL PERGUNTA QUE NÃO FOI FEITA E GOSTARIA DE TER RESPONDIDO? Foram tantas e muito bem colocadas. Parabéns pelo seu maravilhoso trabalho Ilivaldo Duarte.

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