agronomia. Assim muitos definem o engenheiro agrônomo João Batista da Silveira Luiz, que teve sua trajetória homenageada em um emocionante depoimento ao jornalista Ilivaldo Duarte - veja link ao final desta matéria-.
Ele resgata memórias da infância no Rio Grande do Sul, de sua chegada a Campo Mourão e os mais de 36 anos de dedicação à Coamo Agroindustrial Cooperativa.
ATUAÇÃO - Reconhecido pela competência técnica, liderança e participação ativa no fortalecimento da classe agronômica, João Batista é lembrado como um dos profissionais que acompanharam e contribuíram para as profundas transformações da agricultura brasileira nas últimas décadas.
ORIGEM E ESCOLHA - Natural de Pinheiro Machado (RS), na região Sul do Estado, João Batista se formou em Agronomia pela Universidade Federal de Pelotas em 1972. A profissão foi uma escolha influenciada pelas raízes rurais da família e pelo exemplo do pai, produtor rural que cultivava valores como trabalho, determinação e cooperação.
Em 1978, enquanto trabalhava em Guarapuava, decidiu buscar novos desafios. A oportunidade surgiu por meio de um anúncio publicado na Gazeta do Povo, que procurava um engenheiro agrônomo para atuar na Coamo. Incentivado por familiares e pela admiração que nutria pelo sistema cooperativista, participou do processo seletivo e foi contratado.
UMA DECISÃO - Inicialmente integrado à área de Sementes, João Batista acompanhou uma fase de intensa expansão da cooperativa e do agronegócio regional. Entre suas atribuições estavam visitas às unidades produtoras de sementes no Paraná, atividade que lhe permitiu acompanhar de perto o desenvolvimento técnico da agricultura.
TUDO MUDOU - Ao recordar aquele período, destaca as mudanças ocorridas no campo e na própria cidade de Campo Mourão. “Mudou tudo. A cidade, a agricultura, a atividade sementeira. Houve uma tremenda evolução. A própria Coamo cresceu demais, se expandiu e intensificou a industrialização.”
INFLUÊNCIA DO PAI- Um dos momentos mais marcantes do depoimento ocorreu quando João Batista relembrou a influência do pai, Elpídio da Silveira Luiz, produtor rural e entusiasta do cooperativismo. Ao ingressar na Coamo, ele escreveu uma carta manuscrita relatando justamente essa admiração pelo modelo cooperativista.
Décadas depois, ao completar 30 anos na cooperativa, o documento foi resgatado de seus arquivos pessoais. “Quando a carta apareceu depois de tantos anos, eu levei um susto. Nunca imaginei que alguém tivesse guardado aquilo.”
AEACM - Além da atuação profissional, João Batista construiu uma importante história de participação institucional. Durante mais de uma década integrou diretorias da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Campo Mourão (AEACM), entidade considerada uma das mais tradicionais do Paraná. Também presidiu a associação e participou de momentos marcantes, como a construção da sede própria e o fortalecimento da representatividade da categoria.
CONECTADO - Mesmo aposentado há vários anos e convivendo com uma severa limitação visual, continua acompanhando os acontecimentos da agricultura, do cooperativismo e da profissão. Durante a entrevista, falou com serenidade sobre os desafios impostos pela perda da visão. “A visão representa 80% da nossa interação com o mundo. Mas, como tudo na vida tem remédio, a gente acaba se adaptando e convivendo com esse problema.”
RÁDIO LIGADO - Nesse processo de adaptação, o rádio permanece como um companheiro inseparável. Desde a infância vivida em uma fazenda distante dos centros urbanos, o veículo de comunicação sempre esteve presente em sua rotina. “O nosso único meio de contato com o mundo era através do rádio. E o rádio continua vivo.”
SER PROFISSIONAL - Ao analisar a evolução da agronomia, João Batista ressalta que o profissional moderno precisa estar cada vez mais preparado para enfrentar um mercado em constante transformação. “Esse mundo só tem lugar para pessoas bem preparadas.”
FUTURO - Aos estudantes e jovens profissionais, deixou uma mensagem de confiança no futuro da profissão. “Acredite na sua profissão. O Brasil é um dos raros países que pode contribuir para a alimentação do mundo. O profissional bem preparado vai ter espaço, vai se destacar e terá alegria em ser formado em Agronomia.”
ESCOLHA ACERTADA - Ao final da homenagem, resumiusua trajetória em uma frase que traduz a gratidão por sua caminhada pessoal e profissional.
“Primeiro eu acertei ao escolher a profissão. Segundo, eu escolhi Campo Mourão para viver.”
A afirmação retrata a história de um cidadão e um profissional, que ajudou a construir o desenvolvimento agrícola da região e segue sendo admirado pelo conhecimento, humildade e legado deixado à agronomia e ao cooperativismo.
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