Todo mundo quer uma comunicação estratégica. Até precisar tratar a comunicação como estratégia.
Há uma contradição que ainda vejo em muitas organizações:
A comunicação é uma das primeiras áreas cobradas quando algo dá errado. Mas nem sempre é uma das primeiras chamadas quando as decisões estão sendo tomadas.
A demanda chega no fim. O prazo é curto.
O briefing ainda está sendo construído. Há diferentes instâncias de aprovação. E, mesmo assim, espera-se uma entrega impecável.
Isso não significa relativizar erros ou diminuir a responsabilidade de quem trabalha com comunicação.
Qualidade técnica é obrigação. Mas qualidade também depende de processo.
Quando a comunicação só entra depois que tudo foi decidido, seu papel fica reduzido à execução: produzir o texto, criar a peça, divulgar, conseguir repercussão.
Comunicação estratégica é outra coisa. É compreender o contexto antes da mensagem. É antecipar riscos. É ajudar a definir narrativas.
É pensar públicos, canais, timing e reputação.
É, inclusive, dizer quando não comunicar.
E isso exige contexto, planejamento, informação, autonomia técnica e participação nas decisões que terão impacto sobre a percepção da organização.
Tenho pensado bastante sobre isso também pela perspectiva da gestão: não basta cobrar que uma equipe seja estratégica. É preciso criar condições para que ela trabalhe estrategicamente.
Uma organização revela o espaço que realmente dá à comunicação não no discurso. Mas no momento em que chama a área para a mesa.
Comunicação não é a última etapa de uma decisão.
Comunicação é estratégia. - Fonte: Linkedln Thaís Mesquita Cantanhêde - Gerente de Comunicação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

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