16 de mar. de 2026

DISCURSO DE POSSE na Academia Mourãoense de Letras (AML) da professora Edcleia Basso Didyk

 "Digníssimas autoridades já antes nominadas,  Prezada e mui merecedora da Comenda Vida e Liberdade hoje recebida, professora Hermínia Camargo Perdoncini, senhor presidente Fábio Sexugi, queridos confrades e confreiras da AML, prezados convidados, amigos e familiares! 

É com imensa satisfação e não menor consciência do que seja o peso e a responsabilidade de presidir a Academia Mourãoense de Letras – AML, importante instituição literária e cultural de Campo Mourão e dos municípios limítrofes pertencentes à Comcam. 

Assim, representando todos os acadêmicos que compõem a nova Diretoria e comissões, sob o lema Literatura, um direito! bem como os demais acadêmicos da nossa instituição, quero me apresentar e compartilhar algumas nossas ideias e sonhos para o próximo biênio na AML.

Sou Edcleia A. Basso Didyk, professora doutora aposentada pela Unespar Campus de Campo Mourão, onde exerci a maior parte da minha vida profissional, além de trabalhar na educação básica pública, seja com alunos ou na formação de professores. Durante minha trajetória como professora, procurei focar na importância e no valor de uma educação pelas línguas,

no papel que a leitura com compreensão desempenha na vida das pessoas, e, sobretudo, entendi a necessidade de difundir e incentivar a literatura – leitura e produção – e as artes para alcançarmos a humanização do ser humano, fim último de uma educação que se diz democrática e, por que não dizer, de direito. 

A minha entrada na AML só aconteceu depois de muita reflexão. A princípio, desconsiderei alguns convites, por não me achar merecedora de tal distinção, uma vez que a literatura não era minha área de atuação e produção mais significativa, e, sim, a acadêmico-científica. Logo a seguir, fui procurada por dois acadêmicos que me mostraram caminhos pelos quais eu poderia contribuir para o alcance dos objetivos da AML. Fizeram, ambos, valer os versos do grande poeta curitibano, Paulo Leminski, um dos principais nomes da poesia marginal da década de 1970: indo sem querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além. 

Cumpri o protocolo, mas não foi daquela vez. Outros

convites e novamente todo o processo: carta-solicitação para a entrada, currículo documentado, publicações, entre outros e aconteceu. Em junho de 2014, passei a ocupar a cadeira de n. 05 da AML e, desde então, tenho procurado ajudar a concretizar o seu objetivo-finalidade que é o cultivo, a preservação e a divulgação do vernáculo e da literatura, nos seus aspectos científico, histórico e artístico. Seu estatuto prevê também a participação e envolvimento de seus acadêmicos em iniciativas úteis ao desenvolvimento cultural de Campo Mourão, e cidades limítrofes, pertencentes à Comcam. Participei ativamente das últimas gestões e com estas diretorias, muito aprendi e muito agradeço. 

Entre muitos atos e feitos acontecidos desde a minha entrada na AML em 2014 que poderiam aqui ser relembrados, quero destacar uma profunda mudança ocorrida, ao longo das duas gestões do nosso admirado Fábio Sexugi, na compreensão do que seja uma Academia de Letras e sua finalidade. Não apenas um lugar de encontros dos “imortais” para repasse de informes, mas sim um local em que as ideias e o amor pela literatura transbordam para alcançar aqueles que pouco os possuem, independentemente de idade, credo ou raça. A pelerine que usamos deixou de ser o símbolo de pessoas privilegiadas ou providas de um “dom” especial que as segregava, distanciando-as da sociedade. Pelo contrário, fizemos dela o nosso avental. Seu uso passou a irradiar sonhos e talentos que querem ser compartilhados; a ser certeza de que a literatura pode aflorar em todas as idades e lugares, tanto para produção quanto para fruição, basta ter jardineiros dispostos a semeá-la.  

Enfim, com toda esta bagagem precisamos começar e, para tanto, trago versos de Fernando Sabino: De tudo ficaram três coisas: A certeza de que estamos começando... A certeza de que é preciso continuar... A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar... Façamos da interrupção um caminho novo... Da queda, um passo de dança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura, um encontro! 

Enfim, nossa proposta de trabalho é continuar realizando as atividades que são marcas da AML e atuar, se possível, mais fortemente junto à sociedade. Queremos que o gosto pela leitura e pela literatura seja nosso Norte; que a literatura seja direito e não dever em todas as idades, desde o leitor iniciante, passando pelo jovem, pelo adulto e pelas pessoas mais maduras. Para tanto, queremos fazer parcerias com as escolas, trabalhar com elas, propor diferentes concursos, gêneros literários tais como Histórias Infantis, trovas, charges, crônica, entre outros, assim como divulgar nossos acadêmicos e suas produções, seja f isicamente, em palestras, oficinas, escolas, seja nas redes sociais, por entrevistas e pela divulgação de seus trabalhos.

Queremos, enfim, que a AML seja protagonista no fazer e no viver a literatura na nossa sociedade. Que a nossa sede, seja um lugar plural de ideias e de encontro de pessoas que tecem com fios de palavras a história, a arte e a cultura do nosso povo.  É possível? Vale a pena? Deixemos que o poeta Ferreira Gullar nos dê a resposta Dois e Dois: Quatro Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena embora o pão seja caro e a liberdade pequena Como teus olhos são claros e a tua pele, morena como é azul o oceano e a lagoa, serena como um tempo de alegria por trás do terror me acena e a noite carrega o dia no seu colo de açucena sei que dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena mesmo que o pão seja caro e a liberdade, pequena. 

E para encerrar, convido os acadêmicos que compõem comigo a nova Diretoria da AML e que, portanto, comungam dos nossos desejos e sonhos, para uma foto oficial, uma vez que “um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos”, bem dito por João Cabral de Melo Neto Chapa Literatura, um direito! 

Presidente: Edcleia A. Basso Didyk – Cadeira n. 5

Vice-presidente: Fábio A. Sexugi – Cadeira n. 7 

Secretário Geral: Rafael Zeferino de Souza – Cad. n. 26 

1ª Secretária: Haline N. S. Domingues – Cadeira n. 8 

Tesoureira Geral: Cristina G. S. da Motta – Cadeira n. 38 

1º Tesoureiro: Anderson Rosa “Frater Goya” – Cad. 27 

Oradora: Sílvia Fernandes – Cadeira n. 30 Co-oradora: 

Silvânia M. Costa – Cadeira n. 30 1ª Diretora do Acervo: 

Regiane T. das Neves Baldi – Cadeira n. 23 

Presidente da Comissão de Literatura: Hermína Camargo Perdoncini 

Cerimonialista – Max Moreno.

Obrigada pela atenção." 

Edcleia Basso Didyk,  presidente gestão 2026/2028 Academia Mourãoense de Letras (AML) , cujo discurso foi proferido na posse de 14 de março 2026. AML foi fundada em 8 de junho de 2001 e instalada em 21 de maio de 2002 Declarada de Utilidade Pública Municipal e Estadual.

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