29 de ago de 2009

COLUNA DA PROFESSORA MARIA JOANA:Ipês floridos: é a festa da Vida!


De repente, em pleno agosto vemos os ipês amarelos dourando nossas ruas, para a alegria dos olhos dos que se encantam com o dourado de suas flores emolduradas no céu azul e desespero dos olham para o chão e acham que flor é lixo, é sujeira... E os ipês rosa ainda estão em tido seu esplendor apesar do inverno chuvoso. Nem a chuva, nem os ventos, nem o frio conseguiram derrubar as floradas de inverno que já antecipam a festa da primavera.
Afinal já é quase setembro e a primavera com sua promessa de LUZ se avizinha. A VIDA TEIMOSA RENASCE em cada broto novo das árvores, em cada flor de tantas árvores frutíferas que anunciam muita fartura para a próxima colheita. Já é tempo de primavera. Da mais simples flor do campo a mais exótica das flores, todas estão convidadas a participar desta grande festa de VIDA NOVA, sinal de esperança.
Nos países onde o inverno é muito rigoroso, a primavera é esperada com ansiedade, marcando o fim das longas noites escuras e dias curtos sombrios, com a natureza aparentemente morta, sem vida, sem verde, sem flor. “Moro num pa-tro-pi (país tropical), abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza” cantamos nós brasileiros que vivemos num clima abençoado, não vemos invernos longos e cinzas, a nossa natureza vive permanentemente em festa, aqui “em se plantando tudo dá” dizia Caminha, e dá o ano inteiro, podendo ser a mesa posta para a fome do mundo.
Por mais longa que seja à noite, o sol continua a brilhar... Por mais frio e chuvoso que seja o inverno, a primavera sempre vem com sua explosão de vida, teimando em renascer... Parece que a NATUREZA EXPLODE EM FESTA. É A FESTA DA VIDA! -“Olha que sol, que mar, que rios, que floresta. A natureza aqui está perpetuamente em festa... Vê que luz, que calor, que multidão de insetos, vê que grande extensão de mata onde impera, fecunda e luminosa, a eterna primavera.” Assim declamava-se nas antigas escolas primárias os versos de Olavo Bilac, sem valorizar seu real sentido, sem entender bem a nossa própria história. Eram outros tempos menos nebulosos que os de hoje... Agora é tempo de florir, ILUMINAR, nascer de NOVO especialmente na política (arte do bem comum) brasileira.
O Brasil tem todas as condições ecológicas, culturais e técnicas para dar certo, para trilhar um novo caminho que encerre os nossos 5 séculos de sofrimento, suor e lágrimas. Talvez por não passarmos pela dureza de invernos rigorosos, ou pela falta de guerras, o nosso povo seja assim como é: alegre, cordial, jeitoso, meio malandro para inventar “jeitinhos” de sobreviver, tão acolhedor que acolhe todas as nações do mundo que vieram. Aqui a COMUNIDADE HUMANA mostrou que é possível viver numa GRANDE FAMÍLIA.
Levas e levas de imigrantes, povos sofridos que abandonavam seus países dilacerados por guerras, fome, desemprego, para cá vieram em busca de LIBERDADE em uma TERRA chamada ESPERANÇA. Diziam não a todas as formas de imperialismos, nazismos, fascismos, comunismos e outros ismos. Muitos deixaram tudo e arriscaram a vida para aqui chegar, mas NÃO SE ENTREGARAM. Somos hoje, um país multicultural, pois todos que para cá vieram foram acolhidos cordialmente (vem de cordis-coração) como brasileiros, trouxeram na bagagem suas experiências, seus costumes, tradições e principalmente seus sonhos de uma VIDA NOVA. Mas não podemos confundir cordialidade, marca registrada do povo brasileiro, com burrice, alienação, passividade, aceitação do INACEITÁVEL...
E que a luz nova da primavera ilumine a consciência dos brasileiros para que possamos sair deste inverno escuro das sucessivas revelações das artimanhas para se manter no poder e resgatar a ESPERANÇA NA DEMOCRACIA, a CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES. E não há mal que dure para sempre. Assim como nossos agricultores não se deixam abater pela crise, acreditam na força da primavera e voltam a semear os campos com as lavouras de verão, assim esperamos que todos os brasileiros saibam enfrentar a vida com trabalho, na luta, produzindo, gerando empregos e riquezas para todos, independente dos governos. A mística do povo brasileiro empurra-o para frente, não deixando que perca a esperança. Só a fé nos faz entender melhor esse povo sofrido que continua a viver, acreditando que “apesar de vocês amanhã há de ser NOVO DIA.”.
Maria Joana Titton Calderari – membro da Academia Mourãoense de Letras, graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso-PUC- majocalderari@yahoo.com.br

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