Silvia faz parte da Academia Mourãoense de Letras e da Associação Mourãoense dos Escritores, e é a homenageada na ENTREVISTA DE DOMINGO aqui no nosso BLOG DO ILIVALDO DUARTE.
"Sou uma mulher que aprendeu com a vida entre alegrias e
tristeza, novos recomeços e reconhecendo em tudo a mão de Deus guiando meus
caminhos. Sou uma mulher segura, feliz,
pronta em ajudar e sorrindo sempre", afirma.
QUEM É SILVIA FERNANDES? Sou nascida em Machado, no Sul de Minas Gerais, aos 16 de abril de 1948.
Meu pai, Rossine Sales Fernandes, pastor,
professor, escritor, poeta e tradutor, e minha mãe Yedda Novaes Fernandes,
professora de música e piano.
Tenho três irmãos: Ciro, Ângela e Raquel.
E cresci
em meio a livros e música e sempre fui uma mini atriz.
COMO SE DEFINE? Sou uma mulher que aprendeu com a vida entre
alegrias e tristeza, novos recomeços e reconhecendo em tudo a mão de Deus
guiando meus caminhos. E penso que as pessoas me vêem como uma mulher segura,
feliz, pronta em ajudar e sorrindo sempre.
COMO FOI SUA INFÂNCIA? Foi em muitas idas e vindas. Como meu
pai era pastor presbiteriano, ele era enviado para outras cidades e lá íamos
nós. Desde Machado onde nasci, fomos para Londrina (PR), Castro (PR), Sengés
(PR), Santa Cruz do Rio Pardo (SP), Ourinhos (SP), Antonina (PR) até chegarmos
em Curitiba. Durante todas as mudanças de cidades sempre estudei muito
tirando as melhores notas da escola.
O QUE E ONDE ESTUDOU? Em Curitiba, fiz o curso normal
no Instituto
de Educação do Paraná e dei aulas em escolas particulares até me casar em 1969
quando parei. Mais tarde, já divorciada, voltei ao trabalho sendo gerente de
lojas e encerrando (após 10 anos) na Editora Positivo onde fui secretária de um
dos diretores me aposentando em seguida.
Durante esse tempo fiz a Faculdade de Letras, curso de
Hotelaria no Centro Europeu, Locução no Espaço Socipar, modelo e manequim
sênior na Visio Escola, Contadora de Histórias no Positivo.
SUA CARREIRA E INÍCIO NO MUNDO DA LEITURA. Minha carreira
profissional como professora foi bem curta, mas quando comecei a escrever não
parei mais. Gosto de ler, pois aos 9 anos, recebi da minha mãe um livro, “Reinações
de Narizinho” de Monteiro Lobato e fui lendo toda a coleção.
Como meu pai possuía uma estante enorme de livros, comecei a
ler poesias dos grandes poetas românticos do Brasil e decorava trechos de Juca
Pirama de Gonçalves Dias e Navio Negreiro de Castro Alves. A literatura sempre
fez parte da minha vida.
E A PAIXÃO PELA VIDA? Sou uma apaixonada pela vida. Aprecio
cada amanhecer, cada por do sol, cada flor que desabrocha em meu jardim, cada
passarinho e beija-flor que vem tomar água na casinha que fiz para eles. Deus é
maravilhoso e suas obras magníficas!
QUAL FOI SUA GRANDE DECISÃO? A que marcou minha vida foi o
regresso à cidade de Campo Mourão. Morei de 1977 até 1983 quando meu marido na
época, era juiz de direito aqui. Voltei para Curitiba onde fiquei por mais de
30 anos. Como minhas filhas estavam morando fora do país e meu filho e sua
família morando aqui, me aposentei e voltei.
Foi a melhor decisão! Encontrei
velhos amigos, fiz muitos outros novos amigos e me firmei como escritora e poetisa
na AME (Associação Mourãoense de Escritores) e na AML (Academia Mourãoense de
Letras).
O QUE MARCOU NA SUA VIDA? O melhor acontecimento em minha vida
foi a maternidade: três filhos, Viviane (arquiteta e urbanista), Fabiane
(jornalista e advogada) e Paulo Emílio (doutor em zootecnia e veterinário).
Outro acontecimento foi a avoternidade: quatro netos, Isadora (17),
Heitor (14), Cesar (11) e Daniel (9).
COMO É SUA ROTINA? Minha rotina é simples: primeiro ler
minha bíblia e orar, depois um café com torradas e iogurte feito por mim, uma
caminhada enquanto o sol não está muito quente, uma olhada no whats para
responder os bom dia de todos, assistir notícias na Record, almoçar, tirar um
cochilo (porque ninguém é de ferro), ler, fazer tricô, ou crochê, ou patchork e
ou bordar que é o que faço no momento, uma tela de Romero Brito e à noite
assistir filmes ou séries.
QUAL ESPORTE PRATICA E TIME QUE TORCE? Nunca fui
de praticar
esportes, mas tenho preferência por futebol. Sou torcedora do Coritiba, coxa
branca de coração, daquelas que assiste os jogos e depois ainda vê todos
os vídeos do time.
QUAL SUA ATUAÇÃO COMO EDUCADORA? Nunca entraria em política,
mas como educadora tenho feito minha parte participando como convidada em
várias ações da nossa cidade. Como exemplo, cito o projeto "Celeiro
Cultural" do Colégio Estadual Cívico Militar, onde por quatro vezes fui conversar
com os alunos sobre literatura e nesse mês de abril participei na abertura do
projeto "Ciranda Literária 2026" no teatro municipal.
E QUANTO AO HÁBITO DE LEITURA? Creio que o brasileiro está
lendo mais, participando de lançamentos de livros, bienais, e a internet e IA
não vem atrapalhar e podem até ajudar se bem direcionadas.
- Nas imagens abaixo, Silvia contando histórias para crianças em Angola, e preparando uma feijoada à brasileira para os angolanos.
FALE DE SUAS OBRAS. Sempre guardei o que escrevia ao longo
dos anos, mas foi uma professora de português do Positivo quem me incentivou e
agradeço a ela, Luciane Prendin. Tenho publicado os seguintes livros: 1) Um
pouco de mim (poesias), 2) O Nasquimi dourado e outras histórias (infanto
juvenil, 3) Acalanto (crônicas, haicais e poesias, 4) Férias no campo
(infantil) e o próximo a ser lançado "Hoje tem História", também
infantil.
O QUE É SER ESCRITORA? É uma experiência única e prazerosa.
Ver pessoas lendo e discutindo aquilo que escreveu, não tem preço. Um dia vi
uma foto de uma senhora de oitenta e poucos anos, moradora de Maringá, lendo
meu livro infantil "Férias no Campo" e contando que tinha amado a
história em versos.
Passeio por vários estilos: poesias, crônicas, haicais e
ultimamente, histórias infantis. Para ser escritora é preciso ler e ler muito. E observar o mundo, o que acontece ao seu redor.
COMO FOI SUA ENTRADA NA AML? Minha entrada na Academia
Mourãoense de Letras foi um prêmio que recebi e significou toda a minha
persistência em escrever e um estímulo a continuar. Sou oradora da AML pela
segunda vez consecutiva, e sinto enorme prazer e responsabilidade ao usar minha
voz nos eventos.
CITE UM POEMA.
Um pequeno poema?
MEUS LIVROS
Ah! Livro amigo
que se deita comigo,
e, aberto, teima em ficar
sobre meu peito,
enquanto durmo,
a me esperar...
(Do livro Um Pouco de Mim)
QUAIS DESAFIOS E PROJETOS? Você me pergunta sobre os
desafios para o presente e futuro da comunicação e da
literatura. Creio que
dependemos de pessoas no alto escalão que vejam a educação como prioridade para
a população em geral e criem meios para que ela chegue a todos.
Sobre projetos, vou falar sobre um que consegui realizar no
ano passado e me deu muita alegria: o Poetizando. Durante meses dei sequência a
fazer vídeos declamando poesias de autores mourãoenses (26 ao todo) e que estão
registrados no meu blog (prosapoemapastel.com)
e no meu canal no Youtube (Silvia Fernandes- POESIAS). Penso em continuar esse
ano.
QUAIS VIAGENS VOCÊ GOSTOU? Fiz algumas viagens ao exterior
por ter duas filhas morando fora. Duas vezes a Luanda (Angola), África do Sul,
Portugal e Estados Unidos. Se puder, um dia, gostaria de conhecer a Toscana e
tomar um bom vinho.
Com Fernando Pessoa, em Lisboa (Portugal)
O QUE É ÉTICA? Ética para mim é respeitar as pessoas em
toda
e qualquer situação e pautar sua vida com honestidade.
MÚSICA: Moonlight
Serenade de Glenn Miller.
CANTORA: Marisa Monte.
LIVROS: Vou citar três que li recentemente: 1) Adeus China -
Li Cunxin; 2) A Casa do Céu- Amanda Lindhout; 3) Água fresca para as flores-
Valerie Perrin.
CAMPO MOURÃO É....na minha vida, um presente.
FAMÍILIA: meu bem maior.
RELIGIÃO: cristã, presbiteriana.
ESPERANÇA: um governo mais justo e melhor.
SONHO: livros para todos.
SAUDADES: dos meus
pais; os ensinamentos do meu pai, a alegria da minha mãe.
MOMENTO ATUAL: Meu momento atual foi dito pelo meu filho em
uma palavra: serenidade.
UM CONVITE: ser convidada por duas vezes ao programa
"Tocando de Primeira" do meu amigo e confrade Ilivaldo Duarte.
UM RECADO: meu recado aos leitores num pensamento de
Ruben Alves (que também tive o prazer de conhecer pessoalmente); "Um
livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar." Portanto, brinquem
muito!