Pioneiro da imprensa de Campo Mourão e do Centro-Oeste do Paraná, com 51 anos dedicados à comunicação, Antônio Luiz de Matos, o conhecido "Toninho de Matos", mourãoense e primeiro jornalista graduado na história do jornalismo em Campo Mourão e um dos mais respeitados quando se trata desta importante área na sociedade.
Conversei com ele no sábado, 29, no ginásio da Arcam em Campo Mourão, para o meu blog e o meu canal no youtube, quando Toninho estava cobrindo a ação voluntária de produção de 6 mil fraldas em benefício de centenas de pessoas necessitadas na cidade.
Toninho de Matos nasceu em 1956, e transformou uma paixão cultivada desde a adolescência em uma trajetória de compromisso com a informação, valorização da notícia e a defesa da essência do jornalismo.
Toninho no colo de sua mãe, ao lado do seu pai e do irmão artista plástico Bernardo Luiz de Matos.A sua relação com a comunicação começou cedo. Como filho de comerciantes portugueses, cresceu cercado por jornais, que chegavam à casa da família por meio das representações mantidas por seu pai, o conhecido Luiz de Matos.
Entre as publicações estavam diariamente a Folha de Londrina e jornais paulistas, que despertaram nele o gosto pela leitura."Eu gostava muito de ler. Na época era tudo no impresso, não existia digital. Foi justamente folheando os jornais que percebi, que diversas cidades possuíam correspondentes."
Incomodado com a ausência de Campo Mourão nessa lista, Toninho procurou um representante da Folha de Londrina e questionou a situação. Mas a resposta mudaria sua vida. Aos 16 anos, recebeu os contatos necessários e começou a atuar como correspondente do jornal. Desde então, nunca mais deixou a profissão. "Ali comecei e nunca mais larguei essa cachaça do jornalismo", conta.
Acadêmico - Apesar da experiência prática, Toninho sentia a necessidade da formação acadêmica, especialmente em um período em que o registro profissional ganhava importância. Inicialmente pensou em seguir carreira na área que, na época, era chamada de Processamento de Dados, atualmente Tecnologia da Informação. "Percebi que aquilo não tinha nada a ver comigo. Eu era da área de humanas", disse.
Toninho prestou vestibular para Comunicação Social em diferentes instituições e foi aprovado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e também em Londrina. A escolha acabou sendo a PUC-Rio, onde viveu quatro anos e meio de intensa formação acadêmica.
Humildade - Além de acumular décadas de experiência prática, tornou-se o primeiros jornalista graduado da história de Campo Mourão. Mesmo assim, com formação superior em Jornalismo, Toninho de Matos faz questão de destacar que Campo Mourão já contava com grandes nomes da imprensa muito antes disso. Entre os citados no jornalismo mourãoense, ele cita Nelson Bittencourt, Irajá Messias, Aroldo Tissot, Anísio Moraes e Eli Rodrigues. "O fato de ter um curso superior não faz ninguém melhor ou pior. Tivemos grandes jornalistas que fizeram história em Campo Mourão."
Ao destacar o jornalista Eli Rodrigues - falecido em 25 de março de 2022- ele se emociona e ressalta sua visão de futuro e pioneirismo na comunicação digital. "O Ely estava à frente do nosso tempo. Produzia conteúdo, escrevia e tinha uma visão que antecipava o que vemos hoje nas redes sociais."
Sobre o radialista Anísio Moraes, líder de audiência nas manhãs da Rádio Colméia - falecido em 18 de maio de 2025- e na imagem abaixo com sua esposa Cida-, destaca a dedicação incansável à busca pela notícia. "Ele acordava prefeitos, presidentes de entidades e lideranças de madrugada para apurar fatos. Era a essência do repórter."
Jornalismo romântico - Ao relembrar sua trajetória, Toninho de Matos define os primeiros anos da profissão como um período "romântico" da comunicação. Segundo ele, naquela época, os jornalistas precisavam dominar diferentes áreas de cobertura. Um mesmo profissional escrevia sobre polícia, agricultura, economia e política. "Na Folha de Londrina a gente fazia de tudo. Era uma atuação muito versátil."
Uma das reportagens que marcaram sua carreira foi uma matéria especial sobre a cultura da mamona, publicada como capa de caderno na Folha de Londrina. Com o título "Da munição de estilingue ao combustível de foguete", a reportagem ganhou destaque e abriu novas portas dentro do jornal. Mas também produziu matérias sobre culturas agrícolas como a hortelã e diversos temas ligados ao desenvolvimento regional.
No sangue - Mesmo após mais de meio século de atuação, Toninho de Matos não consegue se afastar da comunicação. Atualmente trabalha com assessoria de imprensa e segue produzindo conteúdo diariamente. "Eu escrevo todos os dias. Sábado, domingo, praticamente toda hora." Segundo ele, a comunicação é muito mais do que uma profissão. "Está no sangue. Não consigo ficar parado."
Raízes - A história da família Matos também se confunde com a história de Campo Mourão. Seus pais, portugueses, chegaram à cidade por volta de 1953, após uma breve passagem por Maringá. Seu irmão mais velho, Bernardo Marcos, já havia nascido em Portugal e chegou ao Brasil ainda criança.
Outro capítulo importante da família envolve seu pai, Luiz de Matos, figura conhecida pela comunidade local. Além de comerciante e responsável por uma banca de revistas, ele dedicou cerca de 18 anos à Catedral São José, abrindo diariamente a igreja e tocando os sinos manualmente. "Tinha que subir lá para puxar a corda todos os dias", lembra o filho Toninho.
Responsabilidade - Ao avaliar o cenário atual da comunicação, Toninho destaca que a responsabilidade dos profissionais da área nunca foi tão importante.
Em meio à velocidade das redes sociais e à disseminação de informações falsas, ele acredita que o jornalismo precisa manter seu compromisso histórico com a verdade e com a sociedade. "Nós temos uma responsabilidade social enorme. Independentemente de posições políticas ou paixões partidárias, temos um papel importantíssimo perante a sociedade."
Para Toninho de Matos, cabe ao jornalista apresentar os fatos com responsabilidade, permitindo que o público forme suas próprias conclusões. "O leitor, o telespectador e o cidadão precisam ter acesso à informação de qualidade para tirar suas conclusões. Se não tivermos responsabilidade ao transmitir essas informações, tudo fica mais difícil."
Assim, com uma trajetória construída entre redações, reportagens e milhares de textos publicados, o tímidoToninho de Matos em setembro do ano passado foi homenageado no nosso Tocando de Primeira na Rádio Colmeía pelos seus 50 anos de jornalismo. Estimado pelos colegas, Toninho, segue como uma das referências da comunicação mourãoense.
E muito mais do que contar histórias, Toninho de Matos ajudou e continua a ajudar a contar e registrar a própria história de Campo Mourão. Ele mantém viva a missão, que abraçou ainda aos 16 anos: informar com seriedade, compromisso e paixão pelo jornalismo.
Acesse https://www.youtube.com/watch?v=x_VkPjH4qWE&t=12s



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