5 de set de 2016

OLIMPÍADAS 2016 BIRÃO RODRIGUES ESPECIAL PARA O BLOG: "Brasil fez bem feito e nas Olimpíadas não existem vencedores, todos são campeões.

BLOG DO ILIVALDO: Birão, como foi a experiência de ter ido nas Olimpíadas? 
BIRÃO RODRIGUES - É lá que você entende o valor que o atleta dá às Olimpíadas. Quando eu via pela televisão, achava estranho um atleta comemorar o décimo lugar. Estando lá, você entende porque o atleta comemora o décimo lugar como se fosse a medalha de ouro. É porque ele esteve lá, é onde todo atleta treina para estar. Você começa a entender que o “Espírito Olímpico” não é apenas um slogan, é algo que pode unir os povos. Faz com que refugiados lutem para participar de uma Olimpíada. Você sente que o esporte é um forte meio de inclusão.
O que foi bom e melhor? De bom, a cordialidade das pessoas que nos atendiam, o sorriso no rosto dos voluntários, a limpeza dos lugares e a cerveja gelada. O contato com outros povos, sem saber o idioma - conversei com norueguesas, suecas, cazaques e tailandeses.
De melhor? O nível técnico dos jogos, só tem fera. Não tem nenhuma modalidade que você vai assistir, que não vibre e não se emocione. Na quebra do recorde da atleta Anita Wlodarczykda, da Polônia, no arremesso de martelo, gritávamos: “Polska, Polska”, na arquibancada, com se fossemos poloneses. Talvez sejamos um pouco.


A atleta dos Estados Unidos Emma Coburn, que estava em último na final dos 3.000 metros com obstáculos, quando a torcida dos USA começou a gritar “Go Emma, Go”, nós começamos a gritar junto, o estádio inteiro gritou e na última volta a Emma começou a acelerar e de último lugar, conquistou a medalha de bronze, e caiu quase desmaiada após a linha de chegada. O estádio veio abaixo. A Emma levantou, pegou a bandeira dos Estados Unidos e deu a volta, aplaudida de pé por todo o estádio.
Os ingressos da ginástica ritmica se esgotaram um dia antes de começar a competição, modalidade que não tinha nem atenção da mídia e foi um sucesso. É disso que é feito uma Olimpíada.
O que mais te surpreendeu?  A grande quantidade de crianças presentes em todas as modalidades. A agitação delas e a vontade de conhecer tudo, eram contagiantes. Era bonito de ver aquele monte de crianças correndo e brincando pelo Parque Olímpico, sob os olhos cuidadosos dos pais. Nós viámos e comentávamos; “São sementes olímpicas sendo semeadas”. Se os dirigentes se organizarem um pouco melhor, teremos um futuro ainda melhor em todos os esportes.
Como estavam o ambiente e organização? Impecáveis. Com a implantação do BRT (sigla em sem inglês Bus Rapid Transit – Onibus de Transporte Rápido), você conseguia sair da sua casa e entrar dentro das Arenas e outros locais de competição com comodidade e segurança. Com o trabalho dos voluntários, a partir do momento que você passava pelos dois detectores de metais que tinham nas entradas dos locais de competição, os voluntários colocavam você sentado na sua cadeira dentro das Arenas.
Os ambientes eram tão limpos e bem cuidados, que até cheguei a comentar, que daria para colocar mesa e cadeiras e almoçar dentro do banheiro.
Realmente dá orgulho ver que o Brasil consegue fazer bem feito e mostrar para o mundo o nosso valor. Além do calor humano que os outros povos sentiram do povo brasileiro.
Quais jogos assistiu e o que mais gostou, impressionou? Foram vários jogos e momentos inesquecíveis. Um desses momentos aconteceu quando meu irmão comprou ingresso, porque não conseguiu outros, para levantamento de peso masculino. Todo mundo tirou sarro e disse que não iria, mas como naquele dia não tinha outra modalidade para assistir, fomos no levantamento de peso no Rio Centro. Foi sensacional. Já na chegada no local se enturmamos com uns torcedores da Tailândia - um pessoal fantasiado com roupas típicas-, vocês devem ter visto eles na televisão. Começamos a gritar “Thailand” em inglês, foi uma festa. 
O momento inesquecível foi em uma prova que tinha um chinês recordista mundial do levantamento, que entrou em uma "mala do caramba", aí apareceu o NijatRahimov do Cazaquistão e quebrou o recorde mundial em 4 quilos a mais. Foi nessa prova que o atleta da Armênia deslocou o braço e saiu seu cotovelo para fora. Foi uma imagem muito feia que correu o mundo.
Outro jogo inesquecível foi França x Alemanha na semifinal do Handebol Masculino. A França ganhou por 29 x 28 e faltando 15 segundos, o goleiro da França fez uma defesa sensacional. A torcida do Brasil começou a gritar “...é o melhor goleiro do Brasil... Zidane!”, porque o goleiro era parecido com o Zidane, do futebol.
Enfim, em todas as modalidades que você assistia, você se emocionava e torcia, e saía do local se sentindo parte daquele país.
Qual legado o Brasil deixa após os jogos na sua opinião? Para o povo do Rio de Janeiro, um ótimo sistema de transportes, Arenas que, se transformadas em centros de treinamento revelarão grandes atletas para o Brasil. Uma Vila Olímpica com apartamentos muito bons em uma região espetacular. O estádio do Engenhão foi todo reformado e está lindo, e o Boulevard Olímpico será um grande centro de entretenimento em uma área que antes era mal vista.
Mas, na minha opinião, o que Brasil deixa aos povos de todo mundo, é que aqui nós sabemos organizar eventos com perfeição.


Você entende que o orgulho do povo aumentou e a estima também? Se você visse o brilho nos olhos das pessoas de outros países quando conversam com você, elogiando os brasileiros pelas Olimpíadas, já te transforma em uma outra pessoa. O pensamento de pessoas como eu, será diferente. O pensamento que o Brasil é sim, feito de gente que sabe fazer as coisas. Que a nossa cultura é igual a de todos os povos com características que são só nossas.
Quando a delegação da Rússia, que estava assistindo a final do futebol masculino no mesmo lugar, quis tirar fotos conosco foi de arrepiar. Eles queriam tirar fotos porque éramos brasileiros e nos consideram um povo maravilhoso. Como eles diziam “wonderfulpeople”. Eles queriam registrar, ao lado de brasileiros, a conquista da primeira medalha de ouro do futebol nas Olimpíadas. Não é para se encher de orgulho.


Birão, você esteve na Copa do Mundo no Brasil o ano passado, qual o paralelo entre a Copa e as Olimpíadas, ambas no Brasil? Não tenho conhecimento suficiente para discutir se há paralelos entre um e outro, ou não. Para mim, ambas têm seu valor. Mas se eu tivesse que escolher entre Olimpíadas e Copa, eu sempre escolheria Olimpíadas. Nos dois eventos têm exemplos de luta, de garra, de abandonos e de superações, mas o atleta olímpico é diferente. As modalidades são mais difíceis, exigem muito mais treinamento. Imagine, por exemplo um atleta de 22 anos abandonado pela mão e criado pela avó, conseguir ser campeão olímpico, com foi o Thiago Braz da Silva no salto com vara. O que tem por trás dessa conquista é uma história inacreditável, que você poderá contar em outro momento.
Nas Olimpíadas não existem vencedores, todos são campeões.

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