18 de ago de 2015

COLUNA DO MACIEL: Panceri, meditar e mediar

Quando houver desacertos nas suas relações, faça do diálogo uma ponte para transpor os descaminhos. Entenda que ceder não é fraquejar; e agredir não é fortalecer-se. A tolerância mútua é princípio que norteia a boa convivência”. Inácio Dantas
Não é preciso acrescentar o dizer do escritor Inácio Dantas, transcrito acima. Quem conhecia Sérgio Luiz Panceri imediatamente afirmará que tais palavras expressam a personalidade, o caráter, o singular modo vivido dele: a tolerância mútua, princípio que norteia a boa convivência.  
Durante quase 60 anos ele foi o mourãoense entre aqueles que mais bem se afeiçoaram à nossa terra, solo que harmoniosamente cultivou com zelo, terra como lugar baseado na comunhão humana, famílias que longo não seriam mais estranhas dado ao carisma do “seu” Panceri. 
Gaúcho de Caxias do Sul, pele e olhos claros, bigode fino bem aparado, típico descendente italiano que herdou o espírito dos imigrantes que, principalmente durante e no término da Segunda Guerra Mundial, aventuraram-se daquele continente para se fixarem nestas terras brasilianas. Panceri incorporou o sentimento e vocação dos avós e pais. Aos 14 anos começou a laborar e, sem descuidar-se dos estudos, formou em contabilidade.
Pioneiro, desembarcou em Campo Mourão quando o lugar não passava de uma comunidade. A presença empreendedora altiva e inestimável representa uma inestimável contribuição dele para o bem comum. Em 1961 associou-se comercialmente à outra tradicional família, Casali. Era uma das muitas inquebrantáveis amizades que manteria com tamanha dedicação ao longo de toda a vida.
Em referência novamente ao bigode fino, a honradez da palavra empenhada, o verdadeiro “documento” era o “fio do bigode”. Para ele, sozinho o ser humano não é nada, não teria o menor sentido. Era um convicto praticante da união entre pessoas, fé, superação dos obstáculos que a vida, queiramos ou não nos apresenta. Tinha a convicção da união entre pessoas pela fraternidade, elo entre aqueles que tinham sonhos e se dispunham a torná-los realidade. Desse modo integrou o Rotary Clube, dos encontros comunitários Panceri espraiava novos laços de amizades manifestas a começar na saudação efusiva e a estender no companheirismo fraterno.
Outro notável fato exemplar e inspirador é os 33 anos anos como diretor da Coamo, o que rendeu-lhe o reconhecimento público. Na história da Cooperativa foi sempre personagem protagonista no processo desenvolvimentista. Cidadão Honorário de Campo Mourão é outra cabal demonstração da importância dele em nossa Municipalidade. 
Disposto e ciente do papel a desempenhar como cidadão, foram muitas as ausências da casa, sem deixar a família de lado, compreendido quando tinha que sair, enquanto não retornava, era amenizada a momentânea falta através do carinho que sempre teve por parte da esposa Dornélia, ela a paz de espírito, a fibra da mãe que bem educou os quatro filhos. Sérgio compensava a ausência com redobrados afetos, a boa prosa, a formação reta para com seus descendentes.
Para sempre ele veio, para ficar. Para sempre arquitetou a vida calcada na razão familiar e dos amigos. Para sempre o zelo do trabalho árduo, digno. Aos 81 anos, desde o dia dois de agosto, para sempre permanecerá nesta terra que bem conhecia. Sérgio Luiz Panceri para sempre será lembrado.                
Frases de Fazer Frases (I)
Faça diferença quando a diferença pareça não fazer falta.
Frases de Fazer Frases (II)
Que só conta degraus não quer subir.
Fases de Fazer Frases (III)
Dê tempo ao tempo, sem indagar a ele quanto de tempo carecerá.
Olhos, Vistos do Cotidiano
Acidentes de trânsito engarrafam manchetes dos jornais.
Reminiscências em Preto e Branco

Três vezes diretor do Colégio Estadual Campo Mourão, enviou correspondência eletrônica rememorando a formação profissional, e, entre outros fatos narrados, destaca-se o depoimento sobre os 60 anos do Colégio: “Para o seu conhecimento, o professor Abelegy Alves foi meu professor, na minha terra natal Imbituva, década de 1950. Aqui tive o prazer de ser colega de trabalho do professor Abelegy e professora Maximina, tendo sido professor de seus filhos Celso e Luiz César”. Grato pelas palavras,   professor Joani Teixeira.  
José Eugênio Maciel escreve aos domingos no jornal Tribuna do Interior. É mourãoense, professor, sociólogo, advogado e membro da Academia Mourãoense de Letras e do Centro de Letras do Paraná.

Nenhum comentário:

Postar um comentário