28 de mai de 2013

COLUNA DO PROFESSOR JOSÉ EUGÊNIO MACIEL: O povo brasileiro, Õ povo brasileiro!

“A crítica não tem sobre a psicologia das massas o poder  sugestivo que têm as crenças afirmativas, mesmo falsas”.Olávio Carvalho – jornalista
O Brasil de dimensões continentais. O Brasil do índio. Do europeu. Do negro. O Brasil da chamada mistura de etnias. Brasil de vários povos e muitas identidades. Brasil da língua indígena usurpada. Da língua portuguesa. Brasil de muitos falares. Da multiplicidade de expressões faciais, aquarela. Da gama enorme de crenças.O Brasil de muitos brasis. O Brasil dos extremos:  de cá pra lá  e  de lá pra cá.  Do antagonismo entre o real e o ideal, do verdadeiro e da ficção. Brasil que é e o que não é. O Brasil da compreensão e da tentativa de entendê-lo. Do certo e do errado.  
Brasil da data marcada da história. Das marcas sem datas. Da memória esquecida antes de conhecida e lembrada. Dos muitos retratos e das imagens não reveladas, relevadas.
Brasil dos olhares de todos os ângulos. De todas as interpretações. Brasil sem o olhar para e Quando alguém começa a falar do Brasil logo tem que dizer – por iniciativa própria ou por causa do questionamento imediato – de qual o Brasil que irá dizer. E de tudo se diz. De nada se diz. 
Não se pode dizer  todo  o povo, embora uma parte dele – significativa ou não – possa espelhar o seu todo ou grande parte dele. Eis dois cenários da semana passada:
Último dia 16 o Corinthians era eliminado pelos argentinos do Boca Júnior na Libertadores, prejudicado pela arbitragem. A torcida não deixou o estádio, manifestou paixão clubística mesmo diante da derrota. Um sentimento latente em reconhecer a luta dentro de campo, ainda que inglória do time alvinegro. Ao encarar os fatos pela cultura do futebol, seguramente aquele gesto evidenciou, independentemente das condições favoráveis ou adversas, uma notória coesão, ainda que ante ao que não se desejava. Se cabe aqui considerar o fato como positivo de uma parcela do povo que precisa, como diz a canção dos Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer diversão e arte” e o futebol é diversão e arte. O mesmo fato pode comportar considerações negativas, o gesto da torcida se caracteriza como alienação, estupidez, ou falta do que fazer. Ora, são dois os brasis, mas o caso é visto como positivo porque a torcida reagiu de maneira incomum.  .
No último final de semana em pelo menos treze estados, tais como Pará, Piauí, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará, pessoas desesperadamente foram às agências da Caixa Econômica Federal sacar dinheiro do  Bolsa Família, dada à “informação” que seria o último pagamento, pois o programa iria acabar. Tratava-se de boato. Mesmo assim o tumulto nas agências e o temor se prolongaram por longas e intensas horas. Quem inventou e fez espalhar tamanha boataria? A Polícia Federal anunciou que dará a resposta. É preciso considerar os estados mencionados, alguns deles, quanto aos baixos índices de escolaridade e elevados níveis de dependência sócio-econômicas, aspectos que não são mera coincidência. O governo federal, que é responsável pelo  Bolsa Família,  através da ministra da secretaria de direitos humanos da 
presidência da república Maria do Rosário foi logo culpando a oposição pela falsa notícia. Qual a 
credibilidade de um governo que não resiste e mesmo sucumbe a qualquer boato? Ademais, as 
pessoas foram levadas pelo “disse me disse” pouco habituadas a informação, desligadas que são 
grande número de pessoas de acompanhar o noticiário, são vulneráveis a qualquer conversa fiada. O 
mesmo povo que não sai de frente da televisão, que sabe tudo sobre novela, horóscopo, futebol. 
“bigue bróder” e por aí vai. 
Pode se lamentar, ficar com pena. Como também é possível afirmar em alto e bom som: 
“bem feito” para ambos os fatos citados como ilustração. É o Brasil que não é do Brasil. É o Brasil 
do Brasil. É a nossa  brasilidade.
Fases de Fazer Frases (I)
O perdão imperdoável é nunca perdoar.
Fases de Fazer Frases (II)  
O oprimido toma comprimido por se sentir premido.
Fases de Fazer Frases (III)
Tempo quando voa é sem asas. Pensamento tem asas,  adianta-se ou faz parar o tempo.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
 Em Campo Mourão os professores da rede estadual de ensino já estão recebendo o tablete,  ferramenta tecnológica ligada à internet. A novidade destacada será a chamada dos estudantes através de tal recurso, integrado ao sistema de dados. 
Na minha defesa da língua pátria, direi sempre a palavra em português, por mais que o inglês tome conta até o ponto de muitos desconhecerem o vocabulário oficial. Então escreverei e direi a pronúncia: tablete. E não será falando “táblet” que o ensino irá evoluir.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Boca Santa do dia 21 noticiou o fato da Câmara de Vereadores ter edificado o prédio atual e arrancado a bonita árvore da esquina – o sítio publicou foto atual – afirmando que o poder legislativo mourãoense é um exemplo negativo. Na sequência, dia seguinte, Boca retomou o tema, informando que o presidente Néspolo anunciou que irá realizar o plantio. Estava mais do que na hora.
Reminiscências em Preto e Branco
Dia 23 de maio marca o nascimento do grande cantor e compositor Sílvio Caldas, 1908, morto em 1998, em 03 de fevereiro. Ele compôs uma das mais belas canções brasileiras, em parceria com o pouco lembrado Orestes Barbosa, intitulada Chão de Estrelas. A música, toda ela belamente lírica, tem um dos mais lindos poemas: (…)  Salpicava de estrelas nosso chão/E tu pisavas nos astros distraída/Sem saber que a ventura desta vida/é a cabrocha, o luar e o violão/.
José Eugênio Maciel, professor, sociólogo, advogado e membro da Academia Mourãoense de Letras 

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