16 de jul de 2012

COLUNA DA PROFª MARIA JOANA: Virgem Mãe do Escapulário!


Cresci ouvindo minha mãe falar, no seu modo simples e piedoso de ser, do poder do Escapulário, que nos protegia na vida e na morte, nos livrando do inferno. Usei-o sempre, confiando na fé de minha mãe, sem me perguntar o porquê desta fé, desta crença que creio nem ela sabia como nos explicar, com os poucos anos de estudo que tinha. Participando das novenas de Nossa Senhora no Carmelo de Campo Mourão, me questionei se já tinha recebido a entronização do escapulário e percebi que não sabia nada além do que minha mãe dizia. Estava ainda usando os sapatinhos da minha primeira comunhão neste assunto. E fui então estudar, pesquisar sobre Nossa Senhora do Carmo, tão minha companheira desde a infância.
Partilho um pouco do que aprendi com os que, como eu, precisam crescer mais na fé e conhecer os porquês de tantos costumes que carregamos. A devoção a Nossa Senhora do Carmo é muito antiga na Igreja. Sua origem veio da Ordem Carmelita cujos monges viviam em oração e penitência no Monte Carmelo, na Palestina, um lugar sagrado do Antigo e Novo Testamento. É o Monte em que o Profeta Elias evidencia a existência e a presença do Deus verdadeiro (III Livro dos Reis, 18, 19 seg.); implora do Senhor chuva benfazeja, depois de uma seca de três anos e três meses (III Livro dos Reis, 18, 45).
São Simão Stock, superior da Ordem Carmelita, na noite do dia 16 de julho de 1251, angustiado com as perseguições sofridas pela ordem, recorre com muita confiança à proteção de Nossa Senhora, no Convento de Cambridge, na Inglaterra. Terminada a prece, levanta os olhos marejados de lágrimas, vê a cela encher-se, subitamente, de luz. Rodeada de anjos, apareceu-lhe a Virgem Santíssima, revestida de esplendor, trazendo nas mãos o Escapulário dizendo a São Simão Stock, com inexprimível ternura maternal: "Recebe, filho queridíssimo, este Escapulário de tua Ordem, como sinal peculiar de minha fraternidade, como privilégio para ti e para todos os Carmelitas. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno. Eis um sinal de salvação, de proteção nos perigos, eis uma aliança de paz e de eterna amizade".
Nossa Senhora voltou ao céu e o Escapulário permaneceu como sinal de Maria. Na última aparição de Lourdes e de Fátima, Nossa Senhora traz o Escapulário. Nestes 751 anos, a devoção difundiu-se rapidamente na Europa e propagou-se amplamente chegando com os imigrantes à América Latina, pregando que todos os que trouxeram o Escapulário, com verdadeira piedade, com sincero desejo de perfeição cristã, com sinais de conversão, sempre foram protegidos na alma e no corpo contra tantos perigos que ameaçam a vida espiritual e corporal. É só ler os anais carmelitanos para provar a proteção e a assistência de Maria Santíssima.
O Escapulário é um sinal externo de devoção mariana, que consiste na consagração a Santíssima Virgem Maria, na esperança de sua proteção maternal. No dizer do Vaticano II, "um sinal sagrado, segundo o modelo dos sacramentos, por intermédio do qual significam efeitos, sobretudo espirituais, que se obtêm pela intercessão da Igreja". Em suas normas práticas o Escapulário é imposto só uma vez por um sacerdote ou diácono. Seu uso exige, no mínimo, a oração diária de três Ave-Marias em honra a Nossa Senhora do Carmo. O Escapulário do Carmo não é: um sinal de proteção mágica ou amuleto; uma garantia automática de salvação; uma dispensa de viver as exigências da vida Cristã.
Composto por duas peças de pano, de cor marrom, unidas entre si por dois cordões, a palavra "escapulário" indica uma vestimenta que os frades usavam sobre o hábito religioso, durante o trabalho manual. Com o passar dos anos, a Igreja entendendo os privilégios e benefícios espirituais do escapulário, percebe a necessidade de reduzir o seu tamanho para que todos os fiéis o pudessem receber. O seu uso diário e permanente, embora muito recomendado, não é essencial; essencial é o compromisso de viver cristãmente, seguindo o exemplo de Maria Santíssima. A Medalha-Escapulário substitui plenamente o próprio Escapulário.
Entendi que não importa qual seja o tamanho, matéria ou cor de que é feito o Escapulário, ou qual a maneira que o carregamos. O que importa é como demonstramos na vida a nossa devoção a Maria. E nisso minha mãe era catedrática. ”Eis a serva do Senhor...”Lc1, 38. foi o texto bíblico que escolhi para sua lembrança, na missa de sétimo dia...
Maria Joana Titton Calderari – membro da Academia Mourãoense de Letras, graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso-PUC- majocalderari@yahoo.com.br

Um comentário:

  1. olá, vou deixar a dica de um site que vende escapulários lindos www.leaojoias.com.br vale a pena conferir

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