26 de jun de 2012

COLUNA DO PROFº JOSÉ EUGÊNIO MACIEL: Jorge, sempre a servir: simplicidade grandiosa

“É talvez o último dia da minha vida. Saudei o sol, levantando a mão direita, Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus, Fiz sinal de gostar antes: mais nada”.
É TALVEZ O ÚLTIMO DIA DA MINHA VIDA – Alberto Caeiro ( Fernando Pessoa)
Existem pessoas que fazem das suas próprias vidas um espetáculo tão fantástico que elas possuem sempre uma plateia ávida em assistir e para o qual se encantam. As apresentações se repetem no cotidiano, ao mesmo tempo novas peças entram em cartaz num mesclar de alegria e tristeza, uma vez ser inevitável os obstáculos inerentes ao viver.
A última vez em cena é o adeus, anunciado, previsto ou não, pode ser pressentido, ainda que não se deseje aceitá-lo. As cortinas hão de se abrir e fechar, sempre. Entretanto, nesse espaço de tempo cronológico têm os que não voltarão jamais e existem aqueles que acenam ao público. Eternamente não haverá outro retorno ao palco dessa vida.
No descortinar de agora o seo Jorge, Fernandes de Moraes (foto), finda um belíssimo espetáculo que encenou por 85 anos. Sorria para vida quando tudo faria crer em determinados momentos só existirem espaço e motivo para a melancolia.. Sofria também, era solidário, tinha sempre uma palavra amiga e mão estendida. Esperançoso, sabia que o ânimo era mais que estímulo ou necessidade, sobretudo foi o sonhar como alavanca de agir, convicto que poderia bastar “um dia após o outro”.
As cortinas da vida foram também as portas do Bar Aparecida, nele a metade da vida do Jorge, sempre a servir, pronta, elegante e competentemente, quando as ruas próximas de centro somente elas tinham asfalto, logo o barro vinha até ali trazido pelos automóveis rústicos de vias vicinais. Aliás, o Bar Aparecida não faz parte da história de Campo Mourão apenas por ser um dos mais antigos, mas o modo como ali se constituía um ambiente democrático de todas as classes sociais. Prosas e encontros a descortinar a vida de uma cidade a florescer como planta outrora promessa de ser tenra e dar frutos. O Aparecida era o cenário livre para todos os goles.
As portas do bar se fecharam, passando a fazer parte da memória de Campo Mourão. São as cortinas que fecham e abrem precisamente agora, não mais a aparecer o personagem ilustre da querida família que deixa, o personagem dos seus numerosos amigos e da cidade. Seo Jorge sai de cena, é o destino a pregar uma peça, mesmo que a imortalidade da alma boa se caracterize na luz que prossegue a brilhar por intermédio dos seus incontáveis exemplos, legados de uma pessoa decente, sólido caráter, integridade moral, tudo transmitido sem arroubos e sim no cotidiano de uma envolvente e sábia simplicidade, também de bondade, afeto, respeito.
Ainda que no cenário do luto, é possível o aplauso em reconhecimento a dignidade de uma pessoa merecedora das palmas.
Fases de Fazer Frases
O ideal é enxergar com os próprios olhos. Ver com olhos alheios é preferível, a ser cego.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Intitulado Mourãoense já pagou quase R$ 80 milhões em impostos, publicada na última quinta nesta Tribuna e assinada pela jornalista Ana Carla Poliseli é um conteúdo acima de um registro de fatos, pois os dados contundentes não podem ser ignorados por toda a sociedade. No texto claro e incisivo existe a seguinte referência: cada mourãoense já entregou aos governos (federal, estadual e municipal) pelo menos R$ 880,00. A matéria traz outros importantes dados e projeções que deixam evidentes a enorme carga tributária brasileira, obrigando todos nós brasileiros a trabalharmos pelo menos quatro meses tão somente para pagarmos impostos. O valor de 80 milhões diz respeito somente aos seis primeiros meses de 2012.
O certo é que impostos não faltam. O que falta, aliás com notável intrepidez, é uma estrutura pública que devolva tanto dinheiro em forma do chamado “bem-estar social”.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Nas eleições deste ano Campo Mourão terá 4.571 eleitores a mais, um acréscimo de 7.5%. Estarão aptos a votar 65 mil e 43 eleitores. O município ocupa a 20ª posição no Paraná e a primeira na região, segundo noticiou o Sítio CRN on line. Goioerê tem 21 mil 905 e Ubiratã tem a terceira posição regional, com 12.418 eleitores. Em uma rápida comparação deste escrevinhador aqui, Campo Mourão tem muito mais em veículos (já passou dos 50 mil) do que os dois municípios somados no número de eleitores.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
No mês que vem, que aliás se avizinha, esta Coluna irá completar 24 anos de publicação. A favor ou contra, que o caro leitor se sinta inteiramente à vontade, caso deseje, de se manifestar sobre esta data. Ufa!
Olhos, Vistos do Cotidiano (IV)
No dia de dois importantes jogos de futebol, o Jornal Nacional noticiou amplamente na última quarta a partida pela Libertadores entre Corinthians e Santos. Era natural que o fizesse, dada à importância e porque a Globo transmitiria o embate decisivo. Porém, a também semifinal mas da Copa do Brasil, o noticiário simplesmente ignorou o fato, como se não houvesse o jogo, um profundo desrespeito aos torcedores do Coritiba e do São Paulo, revelando a falta de um jornalismo bom e sério, além de ser uma arrogância. Dos canais abertos a Rede Bandeirantes transmitiu a partida.
Olhos, Vistos do Cotidiano (V)
Ainda sobre jornalismo, mas desta vez como aspecto positivo, a Rede Paranaense de Comunicação, afiliada da Globo, foi digna de ser paranaense, ao transmitir para a capital do nosso Estado e Litoral o jogo do Coritiba. Na última quinta, possivelmente por ter recebido reclamações posteriores, o Globo Esporte explicou a decisão, justificando que sempre procurará priorizar a cobertura jornalística que diga respeito ao Paraná. Absolutamente certa a RPC. Parabéns.
Reminiscências em Preto e Branco
Ombros carregam escombros do passado em ruínas. É preciso dar de ombros ao que já foi e seguir adiante por um tempo de nova construção.
José Eugênio Maciel é professor, sociólogo, advogado, escritor e membro da Academia Mourãoense de Letras.

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