8 de ago de 2011

COLUNA DO PROFº MACIEL: Bom paciente é do plano. Haja saúde!



“O problema do nosso tempo é que o futuro não é o que costuma ser”
Paulo Valéry
A ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar publicou no último dia dois a resolução pela qual é ampliada a lista de cobertura assistencial obrigatória dos planos de saúde. Os convênios terão que custear, a partir de janeiro de 2012, cerca de 60 novos procedimentos, entre eles terapia ocupacional, tomografia especial “Pet Scan” (usada no diagnóstico de câncer), cirurgia de redução de estômago via laparoscopia e angiotomografia coronariana.
É fundamental salientar, um longo caminho precisou ser percorrido pela sociedade, notadamente por intermédio dos órgãos de defesa do consumidor que souberam fazer pressão junto ao Ministério da Saúde, uma vez obviamente não existir interesse nenhum por parte das empresas privadas quanto à ampliação da mencionada cobertura. A lista dos itens terá como referência básica da assistência os que contrataram os planos a partir de primeiro de janeiro de 1999, também resulta de uma consulta realizada pela internet, 6.522 opinaram em tempo pouco superior a um mês.
Não é difícil constatar, ainda que possa pesar a boa vontade governamental, ser no mínimo conveniente para o próprio poder público agir em favor do brasileiro, considerando o estado de calamidade facilmente verificado na saúde, pessoas sem ser socorridas nos casos de urgência, exames que demoram uma eternidade, atendimento insuficiente, quando existe, enfim um relação marcada mais pelo que não ocorre do que pelo que efetivamente deveria ser prestado dignamente à população.
Além da mobilização dos órgãos de defesa do consumidor, que lidam cotidianamente com as reclamações volumosas de descasos dos planos, os meios de comunicação não cessam de noticiar a balbúrdia nos hospitais e postos de saúde, pessoas à míngua e mortes que poderiam ser evitadas caso houvesse médicos, equipamentos, competência e agilidade. O quadro deplorável atinge as camadas que só podem dispor do atendimento pelo SUS – Sistema Único de Saúde. Os que podem pagar planos de saúde se situam basicamente na classe média e acima dela, cuja adesão e pagamento são feitos também com sacrifícios, verificando-se, em vários planos, uma queixa geral pelo não atendimento, desaguando em denúncias à imprensa, Ministério Público e na Justiça.
Formalmente, parece tudo certo. Entretanto, sem desejar que o pessimismo tome conta e movido pela necessária precaução, os usuários dos planos de saúde devem continuar atentos, mobilizados para não caírem em armadilhas que se caracterizem no impedimento, dificuldade ou limitação do atendimento quando solicitado pelo usuário/paciente, ele sim um digno paciente e usuário pagante, que não pode mais ficar paciente a pedir, mas a exigir o que lhe é de direito, já pago anteriormente para dispor do serviço médico-hospitalar.
Fases de Fazer Frases (I)
O tempo não é perdido. É pedido quando achado.
Fases de Fazer Frases (II)
Mais importante não é o caminho à consciência, é a consciência como caminho.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
O ex-vereador Itamar Agostinho Tagliari teceu comentário a respeito do Artigo do domingo anterior, O Outubro dos Mourãoenses é (o) 10. Ele manifestou a contrariedade da mudança proposta do feriado referente ao aniversário de emancipação do Município, do dia 10 para o dia 17. Para ele, que já foi presidente do Legislativo (1985-1987), a alteração desrespeita o sentido histórico e cívico, a ser sempre valorizado.
Reminiscências em Preto e Branco (I)
Maria Zuleica Theodoro de Oliveira conheceu a terra inóspita, tudo por fazer, sonhos que eram ainda sonhos, desafios que exigiram fibra e desprendimento. Dona Zuleica não apenas faz parte da história, a história da vida dela é uma importante história desde o principiar do século passado. Figura humana que trazia no seu semblante sereno o amor ao próximo, a solidariedade, o desprendimento expresso na bondade em abundância. Tinha muitos filhos, filhos que gerou e filhos que como parteira gerou. Longe de ser meramente uma força de expressão, uma senhora de muitas gerações, generosa, de fibra.
Viúva do ex-prefeito de C. Mourão Antônio Theodoro de Oliveira, que governou o Município de 1959 a 1963, ela agora descansa na terra que a acolheu, solo no qual deu a melhor colhida, especialmente aos mais humildes. Aos 95 anos.
Reminiscências em Preto e Branco (I)
Aos 80 anos ele saiu de cena. As luzes do palco e das câmeras eram um brilho menos intenso diante do iluminar próprio do seu talento singular, elegância, classe, voz grave, intérprete impecável, qualidades que lhe sobravam. Fica o legado a clarear a arte que nele sempre simbolizou exemplo notável, próprio de Ítalo Rossi.

José Eugênio Maciel, mourãoense, advogado, professor, sociólogo, membro da Academia Mourãoense de Letras e titular da coluna no jornal Tribuana do Interior aos domingos.

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