16 de ago de 2011

COLUNA DE JOSÉ EUGÊNIO MACIEL: Coragem ao perder o medo, Pai!




“Você não pode ensinar a criança a cuidar de si mesma, a não ser que
deixe tentar por si .Ela cometerá erros e a partir
desses erros brotará sua sabedoria”
Henry Ward Beecher)
Quando morava em Curitiba, saí de lá de madrugada para lhe fazer uma surpresa, cumprimentá-lo pessoalmente no dia do seu aniversário. Consegui uma pequena folga do trabalho, e viria a Campo Mourão para almoçar com o senhor. Assim que sempre o chamava, senhor, o ensinamento começava em casa para tratar os mais velhos com o devido respeito empregando as palavras, o cumprimento, bom dia, boa tarde.
Logicamente sem avisar ninguém, cheguei e fui direto a sua sala no escritório
. Era um dia de semana e o senhor estava concentrado em sua mesa de trabalho, eu cheguei e disse-lhe, a bênção, pai! Fui ao seu encontro e, como sempre, lhe beijei a mão e o rosto e afetuosamente o abracei, parabéns, pai!
Imaginando que estaria eu estava a trabalho e de passagem por Campo Mourão, ele ficou surpreso e orgulhoso quando disse-lhe que tinha vindo especialmente para abraçá-lo, almoçar com ele e com a mãe e em seguida retornaria à Capital.
Seus olhos miúdos refletiam a emoção do momento, que era a minha. Pai, sem precisar dizer com as palavras, embora noutras ocasiões o senhor tenha falado, mas os gestos são exemplos. E o senhor disse que devemos sempre dar um jeito de estarmos reunidos nos momentos de alegria, fazer viagens, estar enfim nas datas importantes. E, de modo contrário fazia o mesmo raciocínio, “pois nas horas difíceis e de grande tristeza que o destino nos impõe, damos um jeito e comparecemos”.
Naquele outubro eu estava ali praticando o que ele deixou como lição para nós, um pai sempre presente, com afeto e distinção singulares, o senhor nos dava muita atenção, à medida que crescíamos, dialogava. Naquele momento eu estava muitíssimo feliz, tinha eu ganhado um grande presente, ao menos naquele momento do seu aniversário ter correspondido, de estar presente, ter feito aquela viagem e assimilar que a vida é feita de aventuras positivas para os encontros, as manifestações que sirvam para tornar mais eloquentes todos os nossos vínculos familiares.
Almoçamos juntos e em seguida lhe pedi a bênção na saudação de despedida, o senhor e a mãe no portão acenando e me desejando boa viagem. Lembro do seu abraço e o teu falar manso, “não precisava se incomodar, filho, e obrigado!”
Agora quando as horas já descortinam a madrugada, lembro das viagens com o senhor, noites de luar ou de chuva voltando das cidades que o senhor atendia como guarda-livros, eu olhava a estrada, o painel do carro, o rádio ligado na Turma da maré Mansa, ou um jogo de futebol, o chiado daquelas ondas curtas ou médias tudo tão presente agora no momento em que escrevo. Não me sai da cabeça, numa noite escura seguíamos por um estreito desvio feito por causa da construção do asfalto, tinha uma porteira, o senhor pediu para eu descer e abrir e depois fechar a porteira. Senti medo, passageiro, rapidamente retornei ao carro e o seu terno sorriso era da coragem e serenidade que eu não tinha por ser menino. E, confesso, sinto-me menino ainda com medo que passara porque me recordo da sua presença, sempre leal, fraterna.
Não me saem da lembrança o que podia ainda parecer trivial, como a paciência e a meticulosidade com que o senhor se preparava e fazia o corte da barba, o bigode fininho à moda antiga, o perfume das suas loções, o senhor tinha muitas, a vantagem de ter muitos filhos, era fácil de reunir a grana, ou cada um o presenteando.
E quando eu não viajava às vezes sem fazer ideia da chegada do senhor voltando para casa. Mas tinham aquelas noites em que ouvíamos o barulho do carro, seu retorno e sempre, pai, num gesto de ternura, o senhor trazia coisas simples e maravilhosas, suspiro, doce de abóbora, pipoca... maria mole... Era doce a nossa infância!
Longe de mim de imitá-lo, menos ainda tentar igualá-lo, parecendo, sem querer, ao também retornar de viagem, eu chegava em casa sempre trazendo para a Isadora algum, doce, era um pouco o senhor, só que eu era que ficava feliz quando via aquela menina abrindo um ou outro pacote, vi sempre nos olhos dela os meus de menino, com o meu a brilhar, como se fossem os seus.
Pai Eloy (foto). Pai herói. Loção, perfume, a tua bênção, o teu afeto são algumas das grandes e naturais motivações para que eu sempre lembre de ti com enorme orgulho, saudades acalentadas e que não me deixam inteiramente triste, pois tudo foi extremamente importante, marcas de um pai que eu sempre agradecerei por ter existido e continuar presente.Os filhos do seo Eloy Maciel: Egídio, E nio, Euro, José Eugênio, Elio e Eloy Maciel Filho.
Fases de Fazer Frases (I)
A palavra fala, cala. Fala-se sem palavras. Cala-se com palavras. A palavra muda quando é falada, calada quando muda.
Fases de Fazer Frases (II)
Pensativamente. Pensa. Ativa. Mente. Mente ativa pensa.
Olhos, Vistos do Cotidiano
Nem é necessário citar especificamente os casos abundantes dos crimes praticados em violenta derrubada das árvores, assunto aqui registrado e analisado em várias oportunidades. Se cresce o corte indiscriminado, aumenta a indignação dos mourãoenses, mas tais manifestações não conseguiram, infelizmente até aqui, fazer com que alguém se mexa, principalmente os órgãos e seus dirigentes que deveriam fiscalizar e dar exemplos. E cabe sim uma pergunta: quem está ganhando com a madeira destas robustas árvores? Vê-se todo um aparado que rapidamente se põe em ação imediatamente ao corte, também feito antes aos domingos ou na calada da noite, mas agora cortes são realizados na cara dura, a luz do dia, com menos sombras, mas sombriamente.
Reminiscências em Preto e Branco
Água de poço tirada do balde e colocado na caneca feito da lata de óleo. O fumo de corda enrolado na palha que se fazia o cigarro. Tempos do lavorar das roças, o homem do campo só ia para a cidade de mês em mês, pois no mais tinha tudo plantado e produzido ali. Até vassoura feita com o feixe de galhos que “barriam” bem. Tudo era feito e aproveitado da melhor forma possível. Nem a prosa solta era “pinchada” fora.

José Eugênio Maciel, mourãoense, professor, sociólogo, escritor, advogado, membro ada Academia Mourãoense de Letras. Escreve aos domingos no jornal Tribuna do Interior em Campo Mourão e nas terças neste BLOG.

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