28 de jun de 2011

COLUNA DO PROFº MACIEL: Saudar a saudade de ti, mãe sempre




“Uma garotinha, perguntada onde era sua casa,
respondeu, ‘onde minha mãe está’”. Keith L. Brooks
ELZA, SEMPRE A MÃE, 80 ANOS
“Os elos entre a infância e a velhice me fascinam: quantas pessoas era cada um de nós, quantos contidos uns dentro dos outros iam formando uma só pessoa, parindo-se incessantemente, eu ontem não a de hoje, hoje quem sabe não a de amanhã, e de anos futuros, a amplidão do tempo estendido à minha frente?” Lya Luft
Eu, que já não sei escrever, hoje e agora, menos ainda! Como escrever para falar da senhora, querida mãe, quando chega meninamente madura aos oitenta anos?
Queria ser jardineiro para entregar-lhe as flores mais belas
, coloridas e perfumadas. Queria ser poeta, declamar para o teu coração o poema épico de todos os tempos, com todas as rimas, cheio de lirismo. Ou cronista, narrar acontecimentos, pessoas, momentos marcantes, e todos eles são, seria ao mesmo tempo historiador, evidenciando em incontáveis registros a sua vida, de fibra, garra, determinação, exemplo de coragem, fé, amor, ternura.
Se eu fosse artista, das fotos, da pintura ou da escultura, conceberia um enorme retrato ou imagem, que só não maior que o meu orgulho, respeito, admiração a e dívida de gratidão que tenho para com a senhora Elza Brisola Maciel. Nele estaria o seu rosto, belo, perfeito, os olhos marcados pela doçura e decência, assim como seus lábios, deles sempre provêm à palavra amiga, materna, sincera, conselheira repleta de ensinanças que, mesmo nas horas críticas de chamar a minha atenção, me repreender, tendo que valer-se da honestidade crítica, elas jamais foram ásperas, nunca deixaram de ser solidárias, fraternas, edificantes.
Quem me dera ser compositor, cantor, lhe faria a mais sonora e cativante serenata, em cada toque, estribilho, a canção seria toda ela para dizer o quanto és o mais extraordinário ser humano, o meu refúgio, seus braços abertos, confortáveis, quentes e perfumados, desde quando eu sequer sabia que era gente, e com o tempo tendo ideia de ser menino e homem, também no seu colo encontrei sempre o acalento.
Devo e quero dizer, mãe, o que eu busco ser melhor é ser seu filho, de tal maneira que a senhora tenha de mim alegrias, compensações capazes de pesarem no lado bom da balança, pendendo mais do que as frustrações, as noites em claro, as tristezas quando te decepcionei, e não foram poucas, sei e imagino.
Sem renunciar a princípios, consegue ser ao mesmo tempo enérgica na educação e cobrança, sem deixar de ter compaixão, de compreender, perdoando e ficando do nosso lado, sendo a nossa fortaleza.
Fragilizada pela saúde, Deus não a privou da lucidez, a percepção serena, equilibrada e firme de observar a todos. Os cabelos brancos, a pele enrugada, mãos estendidas para nos abençoar, elas que se unem para orar por nós. Quem olha a senhora com o peso dos anos, das adversidades e da perda ainda sentida do seu amado Eloy Maciel, amigo e companheiro, supõe existir agora uma mulher encolhida, quando na verdade permanece a altivez da mãe, avó, bisavó, irmã, unindo filhos, netos a família toda, que se reúne feliz, por causa da senhora. Obrigado por ser e existir em nossas vidas, fonte de sabedoria e amor, parabéns!

José Eugenio Maciel, mourãoense, professor, sociólogo, advogado, escritor e membro da Academia Mourãoense de Letras. Filho da dona Elza e do seo Eloy Brizola Maciel.

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