8 de abr de 2011

COLUNA DA PROFª MARIA JOANA:Agricultores tem pressa, mas nossos representantes...



Apesar do grande abraço simbólico ao Congresso dado por milhares de representantes do setor agropecuário de vários estados do Brasil, pedindo pela aprovação do projeto que altera o Código Florestal, o presidente da Câmara dos Deputados ainda não marcou data para as discussões e votações. (Aumento de seus foi votado na calada da noite...) O governo diz que quer buscar consenso entre ruralistas e ecologistas num tema historicamente polêmico.

Mas os agricultores tem pressa, querem produzir com segurança e tranquilidade, certos de que não estão na ”ilegalidade” provocada pela sucessiva alterações nas leis, decretos e normas. Em junho vence o prazo estipulado por um decreto de 2009 para que os proprietários rurais se enquadrem à lei florestal atual( multas, prisões já ocorreram...). Caso contrário cerca de 90 por cento dos proprietários rurais entrarão na ilegalidade.

E vem do Partido Comunista, através do deputado Aldo Rabelo (PCdoB-SP) o projeto esperado a 10 anos pelos ruralistas, que olha as diferenças regionais e um país imenso como o Brasil, cobiçado pelo mundo pela suas terras, águas e vocação agrícola. É criticado pelos ambientalistas por flexibilizar regras de ocupação em Áreas de Preservação Permanentes (APPs), por conceder anistia e por desobrigar pequenas propriedades (de até 4 módulos fiscais) de possuírem uma reserva de mata nativa - a Reserva Legal, que varia de 20 a 80 por cento, dependendo do bioma.

Cresci vendo meus pais, avós cultivarem suas videiras em suas pequenas propriedades, nas encostas dos morros Videira - Santa Catarina, Bento Gonçalves - Rio Grande do Sul. Desbravadores, eram incentivados a desmatar para garantir a posse da terra (única que lhes coube comprar), a produção e a sobrevivência. Igualá-los aos desmatadores é agora desconhecer a história da agricultura do mundo, que nasceu nas beiras dos rios, adubados por suas cheias, e meio de transporte da produção colhida nas encostas dos morros vizinhos. Aprenderam com seus antepassados na Itália, onde continuam plantando os mesmos vinhedos como acontece em muitos lugares onde produzem os melhores vinhos do mundo. E o mesmo se dá com os cafezais, os bananais e outras frutas das encostas, com os arrozais de várzea e tantos outros cultivos feitos em locais agora transformados em “ilegais”. Para onde irão mais esses agricultores? Engrossarão as favelas das grandes cidades onde não é preciso deixar área de preservação na beira dos rios? Pena que não exista um código para as cidades... E muitos ecologistas culpam o “campo” pelos desastres climáticos que destroem casas construídas nos morros, na beira dos rios, tirando tantas vidas nas cidades mal planejadas.. .

É preciso deixar os fundamentalismos e interesses escusos, antipatrióticos de ruralistas ou ambientalistas (ONGS estrangeiras a serviço de quem?) de lado e pensar na produção de alimentos para o Brasil e para o mundo. Temos terra, água, competência técnica para fazer muito bem feito sem desmatar mais nada, basta que tenhamos leis que permitam uma agricultura ecológica e sustentável.

PS: O fundamentalismo, a loucura chega às nossas escolas, mata nossas crianças??? E queríamos tanto copiar os EUA,”ser como eles” como escreveu Galeano!!!Maria Joana Titton Calderari – membro da Academia Mourãoense de Letras, graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso-PUC.

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