13 de mar de 2010

COLUNA DA PROFª MARIA JOANA:Tomar posição

O respeito que Lula devota aos irmãos Raúl e Fidel Castro não deveria impedi-lo de tomar posição e lembrar aos amigos cubanos alguns valores básicos. Por exemplo: a necessidade de observar os direitos humanos e a conveniência de valorizar as liberdades democráticas, sobretudo a liberdade de expressão. Os cubanos e o mundo esperavam posições mais firmes e coerentes sobre a falta de democracia em Cuba, como em 1998, numa visita que fez a Cuba, o então papa João Paulo Segundo não se furtara a mencionar o essencial, defendendo o fim do embargo dos EUA à ilha, mas também mencionou que Cuba deveria render-se à liberdade e ao pluralismo político.

Para piorar, em entrevista concedida à Associated Press, Lula comparou os presos políticos de Cuba aos criminosos comuns de São Paulo e condenou a greve de fome. Mas há enorme diferença entre os presos políticos de consciência de Cuba e os bandidos paulista. Lula esqueceu que algumas das pessoas da história que fizeram greve de fome para alcançar um objetivo importante na história dos povos, como o líder indiano Mahatma Gandhi, o sul-africano Nelson Mandela. Parece que esqueceu a própria história presidente: Lula e a ministra Dilma [Rousseff] foram presos políticos...

Ele também fez greve de fome...

Por isso mesmo o presidente não poderia nivelar prisioneiros de consciência com sequestradores, assassinos e estupradores, que são pessoas que cometeram crimes...

Os prisioneiros de Cuba estão na cadeia porque lutam pela democracia e pela liberdade. Orlando Zapata Tamayo, preso político em Cuba, morreu horas antes da chegada de Lula a Cuba, depois de 85 dias de uma infrutífera greve de fome, num flagrante desrespeito aos direitos humanos em Cuba.

Em Cuba, o jornalista e sociólogo Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias disse que Lula é "cúmplice da tirania dos Castro". Mais: afirmou que Lula esqueceu o próprio passado.

Aqui no Brasil, após a vitória na Organização Mundial do Comércio, Lula toma posição contra o EUA. O Brasil queixara-se de subsídios que os EUA haviam concedido aos seus plantadores de algodão, em prejuízo de algodoeiros do resto do mundo, inclusive os brasileiros e saiu vitorioso.

Como os americanos ignoraram a decisão da OMC, o governo brasileiro editou uma lista de produtos norte-americanos cuja importação será sobretaxada no Brasil. A lista foi ao noticiário na forma de uma declaração de guerra. Ou os EUA retiram os subsídios ao algodão ou seus produtos serão sobretaxados em 30 dias.

Mas Lula toma posição conciliadora, diz que não quer o confronto e pede ”ao companheiro Obama que coloque as suas pessoas para negociar rapidamente. O Brasil não tem nenhum interesse em nenhuma confrontação com os EUA...” “... Mas o Brasil tem interesse em que os EUA respeitem as decisões da OMC, tanto quanto o Brasil respeitará quando a OMC decidir contra nós” disse o presidente num PACmício em Cubatão.

Lula deseja a composição, não o confronto. Impossível negar-lhe razão nessa matéria. Queríamos dar-lhe razão em outras tomadas de posição, especialmente a respeito dos sucessivos escândalos envolvendo os partidos políticos, as obras superfaturadas, os caixas dois, três, quatro e tantos outros crimes contra o povo brasileiro que continuam sem punição e sem devolução do que foi roubado...

Maria Joana Titton Calderari – membro da Academia Mourãoense de Letras, graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso-PUC- majocalderari@yahoo.com.br

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