14 de fev de 2010

COLUNA DO NERY THOMÉ:Até quando?

Manchete 1: Alcides do Nascimento Lins, rapaz pobre, residente em uma das tantas favelas que se espalham por nosso país e que, apesar de tudo e de todos, concluiria, no final deste ano, o curso de Biomedicina pela Universidade Federal de Pernambuco, para orgulho de sua mãe, uma catadora de lixo reciclável, é assassinado com dois tiros em frente à sua casa.

Manchete 2: Um ônibus de transporte escolar, circulando entre as cidades de Montividiu e Iporá, a 280 km de Goiânia, envolvido num grave acidente que vitimou 15 mortos, deixando outros 30 feridos. Entre os mortos, a maioria crianças que retornavam da escola rural que frequentavam.

Manchete três: Acidente termina na morte de duas crianças quando um motorista bêbado, dirigindo em alta velocidade e sem habilitação, colide contra veículo de transporte escolar, feriando ainda outras três crianças. O motorista será indiciado por homicídio culposo e outros crimes.

Manchete quatro: Uma van transportando alunos de uma escolinha de futebol, no Jardim Albuquerque, é abalroada por uma camionete de município vizinho matando um menino inocente de 8 anos.

Quatro histórias, todas elas com fim trágico, uma em cada local do País e todas com algo comum: a violência. Seja pela violência urbana, que levou um rapaz estudioso, dedicado e batalhador a morrer na porta de casa ao ser confundido com outro; seja pelo choque entre veículos numa estrada qualquer, provavelmente motivado pela imperícia e imprudência de motoristas apressados; ou, ainda, fruto de uma situação altamente perigosa – bebida e volante – ou ainda pela simples falta de uso do cinto de segurança; todas as histórias relatadas acima nos chocam, nos aterrorizam, nos revoltam.

Como não se compadecer com a dor de uma mãe ao enterrar o filho, talvez o primeiro na história de sua família a frequentar um ambiente universitário, que perdeu a vida pela falta de um dos quesitos básicos que nossas Constituição diz caber ao Estado nos garantir: a segurança?

E como não sentir o coração doer ao ouvir aquela mãe descrever o orgulho de seu filho em ir à escola pela primeira vez e sua dor ao lembrar que ele não voltaria mais para casa, vitimado pelo acidente com o ônibus de transporte escolar.

E é possível não se revoltar contra a atrocidade cometida por um motorista bêbado, sem habilitação, que nem era proprietário do veículo que conduzia?

Também lamentável imaginar quantas crianças ainda circulam em vans , carros, ônibus sem o uso adequado e necessário do cinto de segurança.

Todas essas histórias logo estarão no esquecimento das manchetes e até de nós mesmos, mas, para as famílias que ainda choram seus entes queridos, a situação trágica do falecimento de seus jovens nunca mais será esquecida.

A imagem do reitor chorando sem conseguir expressar de outro modo a dor por mais uma vida desperdiçada, um homem que, pelo caráter do cargo que ocupa, certamente é um profissional para o qual as palavras não faltam, é talvez a que melhor reflete nossa reação mediante tais crimes, afinal, é desta forma que nos vemos frente à telinha, todos os dias, pensando até quando barbáries como estas irão acontecer...e rezando, sempre, para que nossa família escape de tão triste destino, se isso for possível.
Nery José Thomé, engenheiro agrônomo e presidente da Associação dos Jornais Diários do Brasil - ADI-Brasil

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