27 de jun de 2009

COLUNA DA MARIA JOANA: "Saulo, Saulo, porque me persegues?”

Nesta semana vamos deixar as crises do Senado em Brasília, da Petrobrás, da Prefeitura de Curitiba, os tiros em Campo Mourão, a gripe suína a toda para falar do encerramento do Ano Paulino e do jubileu da Diocese de Campo Mourão. A grande celebração DE envio DOS MISSIONÁRIOS coincidiu com o encerramento das celebrações do bimilenário Paulino, que buscou projetar a “primavera da Igreja”. Assim como o Ano Paulino foi para a igreja mundial um chamado para seguir o exemplo de Paulo, este ano jubilar quer continuar nesta busca de conversão, buscando este salto missionário, impulso, motivação, uma revirolta, a “forte comoção” ocorrida com Paulo na estrada de Damasco. É tempo de celebrarmos o jubileu, de buscarmos realmente, com grande alegria, “proclamar um ano de Graça do Senhor” Lc 4,19 a exemplo do povo de Deus.
Um convite à conversão - Assim como Paulo fez uma experiência viva, decisiva e persuasiva de encontro com Cristo, na estrada de Damasco, assim também nós precisamos fazer a nossa experiência de Deus. O perseguidor passou a ser perseguido por Deus, que já o perseguia há tempo. Saulo, judeu de Tarso, fiel praticante do farisaísmo converteu-se em discípulo apaixonado de Jesus Cristo seu “bem supremo”. Ele foi “conquistado por Jesus” (Fl 3, 12) e de agora em diante dirá: “É Cristo que vive em mim” (Gl 2,21). Paulo se torna então, um missionário itinerante, incansável, cheio de audácia, criatividade e ímpeto evangelizador, pregando a Palavra com insistência, tanto nos centros urbanos como nas periferias. Vai além fronteiras, é apostolo dos gentios e das nações.
Paulo tem coração ardente, inteligência lúcida, é um pedagogo e estrategista, um operário intrépido e valente. Tem uma personalidade invejável que tem energia indomável, obstinação missionária, vontade férrea, ternura de mãe, calor humano, mística e oração. Nem as doenças, nem as cadeias entravam sua audácia missionária. Se não fosse a visão de homem do mundo e a abertura de coração para todos os povos de Paulo, a igreja primitiva teria se fechado dentro das normas e tradições judaicas. Mas Paulo via longe, além das fronteiras de seu mundo e religião. Via, pregava, sabia inculturar a mensagem, sofria pela fidelidade à sã doutrina, corrigia os erros, animava as comunidades cristãs com suas cartas apostólicas. Escreveu 13 cartas às igrejas por ele fundadas: cartas grandes: duas aos tessalonicenses; duas aos coríntios; aos gálatas; aos romanos. Da prisão: aos filipenses; bilhete a Filémon; aos colossenses; aos efésios. Pastorais: duas a Timóteo e uma a Tito.
Dimensão ecumênica e ética - Como Apóstolo das Nações, particularmente comprometido em levar a Boa Nova a todos os povos, prodigalizou-se totalmente pela unidade e pela concórdia de todos os cristãos. Dois mil anos depois continuamos engatinhando na busca humilde e sincera da unidade plena de todos os cristãos. Também continuamos no retrocedendo nos princípios éticos, como mostram os noticiários, a vida atual. A ética cristã em Paulo é uma resposta ao amor fiel, eterno e imensurável do Pai, revelado em Jesus. É a ética do seguimento de Jesus, ética do discipulado, da vida no Espírito e não na carne. Temos em Paulo uma decidida ética sexual, matrimonial, familiar e social. “A fé sem obras é morta” (Tg 2,20) e “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Nossa cultura pós-moderna parece retroceder ao paganismo pela idolatria, imoralidade, consumismo e individualismo. O Ano Paulino e o ano jubilar diocesano são tempos de reavivamento da ética cristã.
Na visita de Bento XVI a Israel momentos ecumênicos fortes, nos relembram o grande apóstolo Paulo, numa verdadeira peregrinação às fontes da fé cristã, aos lugares onde Jesus viveu, morreu e onde foi encontrado vivo depois da morte. Foi também uma peregrinação rumo à raiz santa do patriarca Abraão, do qual procedem judeus, cristãos e muçulmanos. Junto ao Muro das Lamentações, o local mais sagrado dos judeus, único vestígio do que foi o templo de Jerusalém, o Papa rezou durante alguns minutos e colocou um pedido, como costumam fazer os judeus, nos espaços entre suas antigas pedras. Na Esplanada das Mesquitas, leu um salmo em latim, acompanhado de um rabino que o repetiu em hebraico.
Vamos nos inspirar no exemplo de Paulo cultivar humildade, docilidade interior, coragem e firmeza no caminho e assim a Igreja se tornará sempre mais um sinal de vida e de esperança para toda a sociedade. Quando a Diocese inteira se tornar missionária um vendaval da ação do Espírito Santo irá sacudir positivamente a vida da Igreja, com as redescobertas de carismas e dons, todos eles a serviço da missão, conforme orientações do apóstolo Paulo (I Cor 12-14). E a Igreja se sentirá transformada, renovada após este cinquentenário, com a participação de todos. Quem o Espírito Santo nos ilumine!!! E que os políticos envolvidos nesses intermináveis escândalos encontrem a sua “estrada de Damasco”...
Maria Joana Titton Calderari- membro da Academia Mourãoense de Letras, graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso-PUC- majocalderari@yahoo.com.br

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